quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Lua Cheia nos próximos tempos


     Há momentos em que reclamo comigo própria por me achar pouco prendada mas em matéria de intuição devia ter vergonha de me queixar.
    Estou grávida e não foi por falta de aviso. Já há mais de um ano que me tinha começado a desleixar mas nunca me senti muito ameaçada, sabia que devia atinar mas lá se iam sucedendo mais uns descuidos despreocupados. Até que senti um aviso mais sério "um dia a sorte acaba e a tua está a acabar". "Pois é - pensei eu - já lá vai imenso tempo que deixámos de usar, tenho que atinar."
   Tinha cuidado num dia, baldava me logo no outro, enfim o tempo foi passando e eu comecei a sentir-me cada vez mais preocupada mas parecia que já não conseguíamos voltar à boa prática do preservativo.
   Aproximou-se o Verão e aquele aviso interior tornou-se mais forte "Minha querida a tua sorte acabou, arrisca mais uma vez e vai-te calhar a sorte grande" Desta vez eu levei a sério, senti mesmo que ia acontecer. Visto, que o preservativo exige cuidado dos dois pensei na pílula mas estava a dar os primeiros passos nos cultos do feminino e na reconciliação com a minha menstruação e pareciam me duas coisas incompatíveis. Ah, e claro ainda resticios daquele medo infundamentado de engordar. 
  Correu mais um ciclo e não aconteceu nada "Ufa!!! Que alivio". Mais um ciclo e desta vez a menstruação atrasa "Ai, ai!!!" Bem lá veio. Feliz e contente pensei "Ufa, que alivio!!! Bem, quando chegar Setembro vou à ginecologista pelos serviços da universidade e começo a tomar a pílula. Em Setembro começo o meu mestrado não posso correr riscos. Não é o ideal mas a Deusa entende é preferível à irresponsabilidade".
   Pois bem, adiar decisões dá nisto. Eis que uma semana antes da data prevista para a menstruação dou por mim a pensar "Estou grávida e com a sorte que eu tenho é um rapaz" Visto que das poucas vezes que tive delírios maternais sonhei com raparigas, isto parecia-me trágico. Pego no calendário faço umas contas e "Bolas!!! Desleixei-me mesmo no 14º dia. Ok, calma, não vale a pena entrar em pânico com tanta antecedencia. Não foi, não foi" Os dias passaram-se e eu sempre ansiosa e atenta aos sinais da sua chegada. 25º dia - nada, ... 28º, 29º- nada. "Ok, já estou mesmo desesperada. Respira, tem calma não vale a pena ir já fazer um teste não está propriamente atrasada. Espera uma semana." Comecei na net à procura de testes caseiros, porque não? Sempre me ia entretendo. Fiz três, todos me pareceram indicar positivo. As experiências até estavam a ser engraçadas o raio da menstruação não vir, é que nem por isso. Até que com  3 dias de atraso não aguentei mais e às 7 da manhã estava de pé para ir à farmácia. Fiz o teste e que belo positivo.
    A primeira reacção até nem foi má. Acho que fiquei entusiasmada com o facto da minha intuição e os testes caseiros estarem certos. O segundo dia é que foi pior, lágrimas, lágrimas e mais lágrimas: "O que é que eu fui fazer? Ela avisou-me, eu sabia que não o queria e não o evitei", "Eu não tenho condições." Culpa, culpa e mais culpa. Muita vontade de resolver fácil e racionalmente o assunto recorrendo à IVG mas um medo enorme de me arrepender. Acabei por decidir manter a gravidez por uma questão de coerência interna:
  • desde criança que acho que um voto a favor chega para manter uma vida (o do meu namorado era claramente a favor)
  • no ano anterior tive de acompanhar uma IVG também consequente de 1 ano de desleixo e custou me ver aquilo, fiquei marcada senti que não estava certo chorei por não me ter oferecido para ficar com ela (Enfim era preciso ter lata para fazer o mesmo agora)
  • a deusa avisou e eu ignorei. (Ia recusar aceitar as consequencias dos meus actos? Como é que eu ia manter me ligada à deusa se recusasse uma criança que sentia vinda dela?)
   Em suma, quase nas 23 semanas e felizmente imenso apoio da família e amigos esta bruxinha ainda se está a adaptar ao seu menino. Com muitos dias de desânimo e pânico... mas talvez este primeiro post seja um bom sinal.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cruzada contra o Neopaganismo - afinal existe!!!

     Isto para mim foi novidade, eu juro que nunca me passou pela cabeça que houvesse uma guerra declarada ao neopaganismo.    
    Eu já tinha ouvido queixas de neo-pagãos quanto a este tipo de discursos mas pensei que acusações especificas aos neopagãos fossem casos isolados. No fundo haveria um zum zum zum igual ao que se faz a qualquer não crente. Julguei que no máximo nos julgassem tolos ou o mesmo que o satânicos e aqui entenda-se satânicos à moda de hollywood. Mas daí, a existirem lições no youtube em que um mestre explica como e porquê se tem de combater o neopaganismo, vai um grande passo.
    Isto é um apelo à cruzada e no meio de tanto absurdo vê-se que o alvo já está bem definido. Ainda bem que, segundo este senhor, só nos querem combater com armas espirituais: " a palavra de Deus, o nome de Jesus Cristo e o sangue de Jesus". Safa!!! Se fosse em autos de fé acabávamos todos na fogueira de um dia para o outro, e eu nem sabia porquê.
    Enfim!!! São 5 vídeos onde acusam o neopaganismo e os seus crentes de coisas tão fantásticas como:
  • Sacrifícios Humanos
  • Promoção da homossexualidade e do incesto
  • Origem da SIDA
  • Perseguir a Igreja
  • ...
E ainda algumas pérolas como a excelente pronuncia da palavra "wicca" que o senhor amavelmente explica poder ser pronunciada como: "vica ou uica ou uaica". Vá lá, pelo menos acertou uma vez.


   Posto isto, o que raio faz um neopagão para se defender? Bem, não podemos desatar nós a queimá-los na fogueira sob pena de ficarmos iguais... Por isso, só nos resta viver a nossa vida normalmente, levar isto com sentido de humor e esforçarmos por ser bons cidadãos. Não deve ser difícil superá-los em cidadania tendo em conta que pelo menos somos mais tolerantes. 

Ps. - Eu nem fui ver especificamente qual foi o grupo religioso que lançou os vídeos porque a partir do momento em que está na net qualquer cabecinha se apropria destas ideias, pelo que seria um trabalho inútil.   

Até à próxima meus Viccanos e simpatizantes de heresias ;P

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O yoik - um cantar sagrado em louvor da Vida

  
Olá!
   Hoje deixo-vos dois videos sobre o yoik/joik que é apenas uma das forma de cantar tradicionais da cultura Sami mas talvez a mais popular. Como nos explicam no primeiro video (a partir dos 03:08), a prática do yoik é na sua origem ligada à religiosidade tradicional dos Sami, bastaria isso para que eu aqui publicasse algo sobre ele, mas o que mais me atraiu no yoik foi o facto de não incluir obrigatóriamente palavras. Trata-se de uma forma de expressão essencialista, em que nos envolvemos realmente com os elementos e expressamos sentimentos e emoções e por isso tão fácil de incluir nas nossas práticas pessoais. No fundo parece-nos familiar, não? Quantas vezes já cantarolamos uma melodia ao olhar pela janela num frio dia de inverno ou porque acordámos cheios de energia num dia cheio de sol?  


O tambor é a Mãe Terra, a batida o bater do seu coração!




terça-feira, 23 de agosto de 2011

Mito Iroquês - A origem da medicina

 

 Olá!!!
   Achei este mito Iroquês especialmente interessante e decidi partilhar, espero que gostem e gostava que partilhassem as vossas opiniões sobre ele.

  «Antigamente, os animais eram dotados de fala e viviam em alegre harmonia com os homens, mas a humanidade começou a reproduzir-se tão depressa que os animais foram forçados a morar nas florestas em lugares desertos, e a velha amizade entre animais e homens foi esquecida. A brecha alargou devido ao invento das armas mortais, com as quais o homem começou a matança indiscriminada dos animais para obter a sua carne e as suas peles.

   Os animais, a principio surpresos, cedo se enfureceram e começaram a pensar em modos de retaliação. A tribos dos ursos reuniu o seu conselho, presidido pelo Velho Urso Branco, o chefe. Após vários intervenientes terem denunciado as tendências sanguinárias da humanidade, foi decidido unânimemente que seria declarada guerra; mas a falta de armas era olhada como uma grande desvantagem. No entanto foi decidido que as armas dos homens deveriam ser viradas contra eles mesmos e, visto que o arco e a flecha foram considerados os principais agentes humanos de destruição, ficou decidido que seria criada uma imitação. Foi trazido um pedaço de madeira adequado e um dos ursos sacrificou-se para assim poderem obter cordas feitas de tripa para o arco. Quando o instrumento foi acabado, descobriu-se que as garras dos ursos interferiam no disparar da arma. Um dos ursos cortou as suas garras, mas o Velho Urso Branco disse sensatamente que assim não conseguiriam subir às árvores, nem tão pouco caçar; por isso, se as cortassem, morreriam todos à fome.

   Também os veados se reuniram com o seu chefe, Pequeno Veado. Foi decidido que todos os homens que matassem um membro da tribo dos veados sem depois pedirem perdão de maneira correcta, passariam a sofrer de reumatismo. Deram a conhecer esta nova regra a um acampamento de índios que se encontrava ali perto e explicaram-lhes como haviam de fazer para compensar o facto de terem matado um dos membros da tribo dos veados. Decretaram que, quando um veado fosse morto por um caçador, o Pequeno Veado correria para o local e, dobrando-se sobre as nódoas de sangue, perguntaria ao espiríto do veado que morrera se tinha ouvido a oração do caçador em forma de pedido de desculpa. Se a resposta fosse “sim”, tudo ficava bem e o Pequeno Veado ir-se-ia embora mas se a resposta fosse negativa, ele seguiria o caçador até à sua tenda e atingilo-ia com reumatismo, de maneira a que se tornasse um inválido inútil.

   Depois foi a vez de os répteis e os peixes se reunirem, ficando decidido que assombrariam todos aqueles que os atormentassem com sonhos em que cobras e serpentes se enrolavam nos seus corpos ou em que eles comiam peixes em decomposição.

   Por fim, os pássaros e os insectos e os animais mais pequenos reuniram-se também para o mesmo efeito. Cada um de sua vez deu a opinião e o consenso a que chegaram foi contra a espécie humana. Eles imaginaram e puseram o nome a várias doenças.

   Quando as plantas, que eram amigars dos homens, ouviram o que os animais estavam a planear, decidiram fazer com que as suas tentativas de destruir os homens saíssem furadas. Cada árvore, arbusto, relva ou mesmo erva decidiu criar um remédio para algumas das doenças referidas. Quando o médico tinha dúvidas no que dizia respeito ao tratamento a administrar para o alívio de um paciente, o espírito da planta sugeria um remédio adequado. Foi assim que nasceu a medicina.»
SPENCE, Lewis, 1997, Guia Ilustrado de Mitologia Norte-Americana, Lisboa, Editorial Estampa

Em defesa das vossas janelas


 
 
     Marian Green e Arin Murphy-Hiscock são algumas das vozes defensoras da observação directa das fases da lua em vez do uso do calendário, pois na sua perspectiva é um acto que desenvolve a nossa conexão com os ciclos da natureza e nos desliga do mundo do cronómetro. No entanto para muita gente a observação directa não é muito prática, estão demasiados agarrados à ideia de precisão que o calendário oferece, de vez em quando ainda trocam um crescente com um minguante, ou simplesmente por condições climatéricas ou desconhecimento já passaram bastante tempo a prescutar o céu e não viram lua nenhuma, sendo que não era lua nova.
 
    Ora porque também eu sou defensora da observação directa aqui vão algumas dicas e esclarecimentos:

  1. Quando a lua tem a forma de um D é donzela (crescente) e quando tem a forma de um C é anciã (minguante). 
  2. No inglês o termo new moon (lua nova) tanto pode dizer respeito a new moon/crescent moon, que é diferente de Waxing moon (quarto crescente), como new moon/dark moon.
  3. A lua não nasce sempre à mesma hora:
  • A lua nova/crescente (new moon/crescent moon) nasce sempre várias horas depois do nascer do sol pelo que não a conseguimos ver pelo brilho solar na sua próximidade. O primeiro vislumbre que temos desta lua é um fino crescente, as duas pontas voltadas para cima e para a esquerda, baixa no horizonte a oeste ao pôr do sol. Quando o crescente é contemplado pela primeira vez, pode por vezes perceber-se o resto da lua na sombra.
  • O quarto-crescente (waxing moon) nasce entre o meio da manhã e o final da tarde, e põe-se perto da meia-noite.
  • A lua cheia (full moon) nasce sempre ao pôr-do-sol. 
  • O quarto-minguante (waning moon) nasce entre a tarde e o final da noite.
  • A lua escura/lua nova (new moon/dark moon) nasce com o sol e por isso não a conseguimos ver.
   
     Acreditem, pode parecer um mero detalhe pegar no calendário ou esticar o pescoço para fora da janela mas existe uma grande diferença. Enquanto os calendários muitas vezes se encontram normalizados segundo a convenção dos 30 dias e apenas assinalam o zénite de cada fase em termos astronómicos, a observação menos precisa convida-nos à intuição e à relação diária com todo o ciclo. É por isso que momento em que um observador sente uma anciã já tão ténue que a declara de coração uma dark moon será certamente distinto do assinalado pelo calendário. E o mesmo se passa com o momento em que nos deparamos com uma viçosa new moon/crescent moon ao cair da noite, é de facto sentido como o regresso da donzela bem antes do dia marcado com o crescente no calendário (uma verdadeira Waxing moon).
 
    Se não uso mesmo o calendário? Sim às vezes uso, por exemplo no Inverno quando se passam noites seguidas com o céu nublado. Mas a observação permitiu-me desenvolver uma relação intensa na qual com o tempo aprendi a confiar e não é invulgar que quando lhe perco as contas me limite a deitar com as persianas levantadas e a janela com uma fresta aberta para ser acordada pelo luar e logo ver a minha dúvida esclarecida.
 
    A observação do nascer ou pôr-do-sol também é muito importante e defendida por Green, ajuda-nos a conhecer o ciclo da estações, a conhecer o meio ambiente que nos rodeia e na relação com o divino. Pessoalmente gosto de ter consciência do nascer do sol e por isso regra geral não me importo que ele me acorde. Até porque sou daquelas pessoas que se não tencionar levantar da cama, acorda, sorri, vira para o lado e dorme.

 
Acho que cada um deve estabelecer a sua estratégia mas todos deviam experimentar a observação directa.

  



Nascer do Sol por Hugo Graça


Bibliografia:
GREEN, Marian, 2002. A Witch Alone – Thirteen moons to master natural magic, Thorsons
MURPHY-HISCOCK, Arin, 2005. Wicca Solitary for Life, Avon – Massachusetts, Provenance Press





  

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Oferta ao Vento


   Uma oferta ao vento e a uma nocturna criatura alada que me inspira melhor do que faria uma fada ;)
   É o primeiro espanta-espiritos que faço, coisas simples que eu cá sou desajeitada, mas até que ficou porreiro e é sem duvida a oferenda indicada áquele que é para mim talvez o espirito/elemento/aspecto mais inspirador, íntimo e aliado.