segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um novo Pinhal


    Apesar de continuar a não sentir o Verão e de ter falhado as minhas colheitas anuais, hoje aconteceu algo muito positivo e esperemos que animador. Sim, depois das melhorias na visualização, tenho andado um pouco em baixo porque não me sinto em sintonia com a estação e tenho tido alguns problemas alimentares. Em Maio o calor abrasador e todas aquelas chuvas convectivas anteciparam muitas coisas que eu por teimosa confiança no calendário não colhi. Mas agora parece não estar calor suficiente para muitas outras, e assim parece estar tudo ao contrário. Eu bem que sinto o vento chamar-me mas não com a voz do Verão e isso confunde-me.
    Hoje, porém, descobri um novo pinhal, é muito pequeno mas está cheio de vida e o acesso é muito mais discreto que o anterior, pelo que tenho esperança que se torne o meu novo sitio para estar e aprender. 
    Como fui lá aproximadamente uma hora antes do anoitecer pude ficar quieta e ver a vida a tornar-se cada vez mais agitada à minha volta. É um local muito bom para observar aves o que me despertou curiosidade sobre o assunto, afinal eu bem que podia aprender a distinguir algumas. E porque não também rastos de animais? E distinguir espécies de borboletas? E fazer um herbário para fixar de vez umas quantas árvores?
    Enfim, estou como uma criança cheia de planos e porquês, mas como estou de férias quem sabe se não vou mesmo prosseguir com algum destes desejos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Novidades sobre Visualização - Já espreito o Caldeirão

O que usei é igual a este mas de 1/2 L e s/ tampa


   Olá!
   Já há uns tempos que não vos dava noticias sobre a minha demanda e decidi postar hoje porque não é justo que o faça apenas quando as coisas vão mal. Pois é as noticias são boas e penso que devo começar por agradecer ao Jopz por me ter sugerido que experimentasse novos estimulos que não concretamente visuais. Realmente isto permitiu-me ter uma postura mais relaxada e em vez de considerar o meu comportamento imaginativo meramente problemático, ser capaz de explorar as suas potencialidades.

   A coisa tem estado a correr tão bem que esta lua decidi experimentar espreitar o caldeirão/taça, “to scry in”. Para esta actividade eu tinha duas fontes, por um lado a Marian Green em A Witch a Alone: “[...] This moon-blessed water can be used to scry in, placed in a clear vessel on a dark background, perhaps contained within the circle of candle light just as the old witches used to scry in their seething cauldrons. Focus your inner sight on the depths of the water when it has become still, and then relax with your eyes closed. Ask the moon to bless your vision, and gently open your eyes, gazing steadily but without strain into the water. See what you notice, but do it in a calm way, allowing any changes to occur without breaking your detached mode of thought. Nothing may happen the first time you try, but if you persist you will begin to see a milkiness in the water, vague patterns of colour, points of light, and over a few sessions, these will grow clearer and eventually become pictures, symbols, numbers, words, figures, or simply voices in your head telling you things. […]”

   Por outro os conselhos de Hengalardel que realizou o exercicio com sucesso num workshop: “Enches o caldeirão de àgua numa sala escura e depois acendes uma vela que posicionas de modo a que vejas o interior do caldeirão mas não o teu reflexo nem o da vela. Respiras fundo seis vezes e depois abres os olhos e fixas a vista até começares a ver alguma coisa, não te podes mexer nem fechar os olhos.”

   Dado que nenhum referia psicotrópicos deduzi que os factores chave para o exercicio seriam o contraste luz escuridão e o fixar do olhar durante um periodo prolongado. Ora apesar disto eu ainda estava com duvidas quanto ao modo de criar um jogo de luz propicio. Mas a vontade de experimentar era tanta que acabei por seguir o instinto e experimentar ainda que de um modo diferente.

   Numa noite de crescente, com água preparada de véspera, fui para um local escuro peguei numa vela e posicionei-a quase debaixo do caldeirão. Deste modo a boca do caldeirão fica escura como bréu e rodeada por um aro de luz como num eclipse total. Fechei os olhos relaxei e comecei a abri-los muito lentamente ficando a fixar a boca do caldeirão com os olhos semicerrados e a visão um pouco desfocada. O que me pareceu certo porque aquilo que eu queria ver não se via com os olhos da razão. Com este fixar sem pestanejar a dada altura (e não foi preciso esperar muito tempo) comecei a ver uma neblina branca a espessar dentro do caldeirão. Estava convencida que acabaria por começar a vazar e que traria consigo simbolos e imagens, mas neste momento ouvi-me a mim própria a fazer uma pergunta que me perturbou e na qual ainda estou a pensar. Com isto vacilei e acabei por não me conseguir fixar novamente pelo que decidi voltar para a cama. Enfim posso ter feito tudo mal mas ao mesmo tempo sinto que obtive algo, consegui concentrar-me e ver qualquer coisa.

   Estou agora a experimentar as outras técnicas para perceber qual a melhor para mim, até porque os jogos de luz anteriormente propostos parecem bastante diferentes disto. Quero também tentar as diferentes fases da lua e recipientes dado que o caldeirão tem pinta mas não é muito prático, aliás só optei por ele porque não achei nenhuma taça de jeito.

   Fica aqui a minha partilha com um convite à troca de experiências.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Menstrual Monday - 3 de Maio


    Neste dia comemora-se a Menstrual Monday, um dia promovido por um movimento activista pela menstruação que pretende uma imagem da menstruação mais positiva, recusando associá-la a: dor, TPM, segredo e sentimentos de sujidade.

   O movimento é umbilicado na revolta contra a onda de casos de síndrome de choque tóxico* que terá ocorrido no anos 90, no eco-femininismo e nos cultos ao sagrado feminino.

   Assim promovem o uso do moon-cup ou absorventes de tecido mais ecológicos que os produtos vulgares. Defendem que a mulher tem direito a passar pela experiência da menstruação de forma reconhecida, espiritualmente enriquecedora e até lhe sejam reconhecidas necessidades especiais. Pois entendem que estas advém de uma diferença natural e não de uma qualquer desvantagem, contrapondo assim pelo menos em parte a lógica do feminismo da década de 70.

« [...] o período menstrual é um momento de desacelerar e fazer um check-in interno. “O que aconteceu neste último capítulo da minha vida? O que meu corpo está me dizendo? Se eu tive um mês ruim, estressante, a menstruação sempre é mais dolorida, o fluxo maior. É um sinal de que eu não estive atenta às minhas necessidades”, escreve. Ela diz que não acredita em Tensão Pré-Menstrual. “Eu creio em Sensibilidade Pré-Menstrual: uma vez por mês eu entro em uma sintonia maior com meus sentimentos e intuições. Minha menstruação não é suja – é sagrada”».
                

 
* O síndrome do choque tóxico é causado por toxinas produzidas pela bactéria Staphylococus aureus é mais comum em mulheres menstruadas e mais frequente nas que recorrem ao tampão. O desenvolvimento do síndrome é rápido e pode ser fatal, daí que algumas marcas incluam no seu folheto informativo a descrição dos sintomas.



Fontes:
http://segundavermelha.blogspot.com/
 (em mudança para http://www.campanhasegundavermelha.org/)
http://www.moltx.org/
http://www.tampao.com/

terça-feira, 12 de abril de 2011

Something is happening

Primeiro fui capaz de antever e ensinar.








Depois percebi que só faltavam 3 luas para chegar o momento de uma promessa. Dei por mim a pensar em luas e gatos, mas porquê pretos? Pareceu-me clichê.











Então num dia e numa noite só vi gatos pretos e secretamente estranhei.











Chegou o fim de mais uma semana e a noite encheu-se de sons que o xamã estranhou e a escassos palmos da minha cara eu via e ele quase que não.







Na minha cabeça ainda sinto o bater daquelas asas, o som da deslocação do ar... o tempo a parar e eu entre o passado e o presente a ver-me a mover... a boca a abrir-se... o meu braço a erguer-se com o indicador em riste e a palavra sofucada a formar-se esvair-se num: - Olha!!!

Por isso agora sei mas tenho medo de dizê-lo: Something is happening with me!!!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Serração da Velha


   Agora que já começa a cheirar a Primavera e todos começamos a sentir um impulso de renovação, deixo-vos dois relatos de uma prática tanto quanto sei já extinta na minha zona e que costuma ser interpretada como parte dos ritos de renovação da época. É de notar que neste concelho nem mesmo a sóbria quaresma, num tempo em que 99,9% da população era católica praticante, conseguiu por travão à energia da estação tão convidativa à folia.

“Era feita na quarta feira que meava a Quaresma. Juntavam-se os rapazes com todos os utensilios que semanas antes conseguiram juntar: latas velhas, campainhas das vacas, chocalhos, paus, etc.


Iam a casa de todas as pessoas mais idosas do lugar. Havia os que colaboravam e os que «afinavam», quando o porta voz do grupo perguntava:

- Ó velho, o que dás para o enterro?

- Um copo de vinho!

- Ó rapaziada toquem-lhe os sinais cada vez mais!

E a algazarra era ensurdecedora, entravam para a adega e bebiam com o velho.

E seguiam para outro velho/a.

- Ó velho o que dás para o enterro?

- Os tomates do meu bezerro!

- Ó rapaziada toquem-lhe os sinais cada vez mais!

Em casa da tia Ana:

- Ó velha o que dás para o enterro?

- Ó seus malandros esperem aí!

E pela porta ou janela vinha um tição de lume, uma infusa de água ou um «penico de mijo» (já tudo esperado).

A festa e o barulho redobravam.

- Ó rapaziada toquem-lhe os sinais cada vez mais!

A outros atavam a porta por fora, não dando possibilidade ao morador de fazer o que quisesse; mas era massacrado até que ao grupo apetecesse.



Recolha feita na Torre (Fev/87)"





“A ti Rosa é velha velhota

Salte cá para fora

Para levar uma serrota



O ti António é velho velhote

Salte cá para fora

Embrulhado no seu capote



A ti Joséfa é velha velhinha

Salte cá para fora

Para nos dar uma pinguinha



A ti Joaquina é velha magrinha

Salte cá para fora

E venha dar-nos uma sardinha



A ti Ermelinda é velha regateira s

Salte cá para fora

Dê-me uma merendeira



O ti João é velho e malandrau

Salte cá para fora

Para levar com o pau



O ti Adriano é velho matreiro

Salte cá para fora

Tocar no pandeiro



O ti Afonso é velho refilão

Salte cá para fora

E agarre o cão



Isto fazia-se ao meio da quaresma. Juntavam-se uns homens com umas latas e uns serrotes corriam as casas todas do lugar a cantar estes versos.

Recolha feita em Santo Antão (Fev/87)”



   

 


    
       

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

2 de fevereiro - Senhora das Candeias

 flor de oliveira por M Cruz


    Imbolc, Candlemas, Festa de Brigida... por aqui tradicionalmente chamamos-lhe Dia da Senhora das Candeias, nome cristão que remete para o fogo, que logo se associa ao festival (neo)pagão. Segundo a minha avó este dia assinala o inicio da floração das oliveiras (oliveiras = azeite = luz) e é tempo de se comerem filhoses (antigamente tb fritas em azeite), que segundo ela têm anualmente três dias específicos: o natal, 8 de Dezembro (Imaculada Conceição) e este.
   Igualmente tradicionais em Portugal são os prognósticos do tempo e existem diversos dizeres semelhantes ao seguinte:  «se as candeias rirem o Inverno está dentro, se as candeias chorarem o Inverno está fora». Ou seja, se neste dia fizer sol metade do Inverno ainda está para vir, mas se chover metade do Inverno já se foi. Vamos todos prever até porque se falharmos podemos desculpar-nos dizendo que é ano de El ninõ ou La ninã ou que os tempos estão todos trocados...  ;P 
   Deixo-vos então uma receita que não é de filhoses mas de sonhos, que vá lá são parentes e neste caso pelo muito fáceis e rápidos de fazer.

Sonhos Pobrezinhos
(a receita tem este nome por ser considerada uma versão mais económica que as tradicionais)

1 ovo
6 colheres (sopa) de farinha
1 colher (chá) de fermento em pó para bolos
raspa de 1 laranja e sumo de meia
1 pitada de sal
água q.b.

Óleo de girassol (para fritar)


Desfaz-se a farinha num pouco de água; junta-se a raspa e o sumo de laranja, o sal, o fermento e a gema de ovo e por fim a clara batida.
Fritam-se em óleo vegetal, doseando-se a massa às colheradas. quando estiverem bem loirinhos tiram-se, põem-se a escorrer e passam-se por açúcar e canela ainda quentes.

Obs: Há quem goste de adoçar um pouco a massa ou aromatizar com um pouco de agua ardente. Eu cá acho que devem seguir a vossa intuição e adaptar a receita de forma tão simples ou exuberante quanto vos apetecer. 






segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cantico das Criaturas de Francisco de Assis



   Costuma-se dizer que não há regra sem excepção e S. Francisco de Assis sempre me pareceu uma no seio do catolicismo. Hoje deixo-vos o cântico das criaturas ou cântico do irmão sol, é uma publicação cliché para um blog como o meu, mas não resisti porque, num mundo em que o homem fora colocado no centro do universo, tratar por irmã a mãe terra soa a heresia.
   Mesmo hoje o franciscanismo destaca-se por focar a relação com a natureza sendo fascinante ler sobre o Humanismo Franciscano e a Ecologia. Para quem sinta curiosidade por esta teologia que se aproxima dos valores do xamanismo e do neo-paganismo aconselho uma visita ao site: http://www.capuchinhos.org/. como primeiro passo para uma pesquisa segura do assunto.



Cântico das Criaturas



Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,

a ti o louvor, a glória,

a honra e toda a bênção.

A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar

e nenhum homem é digno de te nomear.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

com todas as tuas criaturas,

especialmente o meu senhor irmão Sol,

o qual faz o dia e por ele nos alumias.

E ele é belo e radiante,

com grande esplendor:

de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

pela irmã Lua e as Estrelas:

no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

pelo irmão Vento

e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno,

e todo o tempo,

por quem dás às tuas criaturas o sustento.



Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,

que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

pelo irmão Fogo,

pelo qual alumias a noite:

e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

pela nossa irmã a mãe Terra,

que nos sustenta e governa,

e produz variados frutos,

com flores coloridas, e verduras.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

por aqueles que perdoam por teu amor

e suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados aqueles

que as suportam em paz,

pois por ti, Altíssimo, serão coroados.



Louvado sejas, ó meu Senhor,

por nossa irmã a Morte corporal,

à qual nenhum homem vivente pode escapar.

Ai daqueles que morrem em pecado mortal!

Bem-aventurados aqueles

que cumpriram a tua santíssima vontade,

porque a segunda morte não lhes fará mal.



Louvai e bendizei a meu Senhor,

e dai-lhe graças

e servi-o com grande humildade.