sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Curas, Benzeduras e Orações Tradicionais

   A nossa tradicional bruxa da aldeia apresenta muitos dos traços definidores de um xamã, curando males do corpo e do espirito como se tratando de um só. As suas orações de cura falam do Deus cristão mas entrelaçam-se com crenças pagãs anteriores que consideradas heréticas pela igreja subsistiram, conduzindo assim a um sincretismo aos nossos olhos contraditório.


    Aqui ficam algumas Curas, Benzeduras e Orações para todos os que se interessam por etnografia ou simplesmente acham graça este entrelaçar do cristianismo com a bruxaria popular.

   Todas a citações de cariz etnográfico foram extraídas de uma mesma fonte que cito no final e terá sido recolhido exclusivamente entre os alunos de Cursos de Alfabetização de Adultos na zona do concelho da Batalha, destrito de Leiria, nos anos 80.

   Um pequeno filme sobre esta temática e que me pareceu interessante está disponivel em:
http://www.memoriamedia.net/central/index.php?option=com_content&view=article&id=69&Itemid=41




Cura dos Meninos Quebrados (Hérnia)

“É feita numa noite de S. João à meia noite por duas meninas e um João.

Abre-se ao meio um carvalho e o João passa o menino pela abertura feita no carvalho dizendo:

- Toma lá Maria.

E ela responde: - Dá cá João.

Ele diz: - Toma lá um podre e dá cá um são.

A outra Maria deve estar junto deles a fiar estopa com uma roca.

Em seguida o carvalho é amarrado com a estopa, unindo as duas partes que haviam sido rachadas e não separadas totalmente.

O carvalho tem de estar de pé. Se ele secar o menino não cura. Se rebentar de novo, cura-se o menino.



Recolhido na Torre (Fev/87)”





Cura do Cobrão



“Herpes Zoster ou Zona ( termo popular "cobrão")

A zona é uma erupção da pele devida à reactivação do vírus que causa varicela (termo popular "bexigas doidas") na infância ou na adolescência. A erupção

aparece em banda de um dos lados do corpo, a área atingida fica vermelha e dolorosa, surtos de vesículas aparecem e rebentam deixando feridas cobertas por

crostas. A dor intensa da zona é devida à inflamação dos nervos da região afectada. A zona pode ser o primeiro sinal de infecção pelo VIH ou de uma

alteração do sistema imune. As medicações anti-virais podem fazer com que a doença se cure mais rapidamente e também aliviar a dor.”



Fonte:

Sociedade Portuguesa de Dermatologia disponivel em http://www.dermo.pt/_script/?id=10&det=48 (08-02-2010)



Cura do Cobrão

“Bicho bichinho

Sapo sapão

Aranha aranhão

Que te faças tão negro

Como este carvão



Recolha feita em Santo Antão (Fev/87)”





“Eu te benzo «serepente»

Com a mão do Omnipotente

Que andes para trás

E não para «deente».

Pai Filho e Espírito Santo.

(não se diz o Amen)



Faz-se isto uma vez nove dias seguidos .

Benze-se com uma palha de alho queimada na chama da candeia de azeite e molhada no mesmo azeite.



[Outra versão]

“Eu te corto cobrão

Cabeça, rabo e coração

Em nome do Pai, do Filho

E do Espírito Santo.



(Nesta oração utiliza-se uma faca em vez da palha do alho.)



Recolha feita na Torre (Fev/87)”





Afugentar o Mal da Casa



“Esta casa tem quatro cantos
Quatro anjos ao meu lado

Afasta-te daqui demónio

Que te estou a expulsar

Em louvor do Santíssimo Sacramento

Tira este mal para fora

Entra todo o bem para dentro.



(Colocar 4 brasas e quatro bocadinhos de alecrim, incenso e mirra, defumar a casa de canto a canto, 4 dias seguidos à noite.)



Recolha feita em Santo Antão (Fev/87)”





Cura da Lua



[Segundo a minha avó se a roupa dos bébés fica exposta ao luar este fica triste e perde o apetite como se estivesse doente, então é necessário rezar esta oração durante nove dias. Será que encontramos aqui uma lua demonizada pela igreja mas irónicamente a conservar o seu estatuto sobrenatural?]



“Ó lua por aqui passaste

A graça da minha filha levaste

Hás-de por aqui passar

A graça da minha filha hás-de deixar

E a tua hás-de levar.



(Quando a roupa das crianças fica estendida de noite na rua)



Recolha feita em Santo Antão (Fev/87)”





Mau olhado



“O Quebrento ou Mau Olhado, consistia em lançar maus pensamentos sobre alguém com quem não se simpatizava, ou por quem se nutria uma certa inveja (mal de inveja).

Uma pessoa notava que estava sendo alvo de um mau olhado quando lhe surgiam no seu dia a dia contratempos, problemas, etc., cuja a origemnão sabia explicar.

Dirigia-se então à curandeira que numa primeira fase via se realmente existia um mau olhado.

Colocava num prato água e pegava num pauzinho (sobreira, oliveira, etc., com uns 10 cm e ao mesmo tempo qua fazia cruzes sobre a pessoa doentes dizia:

. - «Os olhos atravessados

Que te atravessaram

Assim como as palavras do Santo Evangelho são três

Eu me entrego à Santissima Trindade

Ao menino Jesus

E à Santa Bela Cruz»

Estas palavras eram repetidas três vezes sempre acompanhadas com o sinal da cruz. Pegava então no pauzinho e molhava-o em azeite, colocava este sobre o prato com água e deixava cair 3 a 5 pingos de azeite.

Se realmente existisse mau olhado o azeite espalhava-se sobre a água (o que não é normal, pois o azeite é mais condensado [o termo correcto seria denso]e por isso não se mistura com a água). Então para cortar o mau olhado, com o pauzito tocando a água em sinal da cruz dizia:

«Senhora do prado

Tirai este quebranto

Assim como Nossa Senhora

A Seu Bento Filho amou

Eu corto e descorto

Os olhos atravessados

Que te invejaram ou praguejaram. Amen.»

Repetiam-se estas palavras 5 ou 9 vezes (sempre em número ímpar, e sempre acompanhados com o sinal da cruz)

O prato era então limpo, deitando-se o seu conteúdo (água) para o lume ou numa encruzilhada

No caso de Maus Olhados sobre animaiss, a curandeira fazia sobre estes o sinal da cruz ao mesmo tempo que dizia:

«As pessoas da Santíssima Trindade querem e podem

De onde este mal veio ele para lá torne

Em nome do Santíssimo Sacramento

O teu mal saia para fora e o bem entre para dentro.»



Recolha feita em Maio de 1986 com a colaboração da Senhora D. Matilde de Sousa Ligeiro

Rebolaria – c/69 anos”



[Outra versão para o Mau Olhado]



“Linda estrela da manhã,

Que por aqui ando guiada,

É a toda a hora do dia

E a pino do meio dia.

Maus olhos me não possam ver.

Pai Nosso.

Avé Maria.



Recolha feita em santo Antão (Fev/87)”




Cura da Erisipela



"A erisipela é uma infecção dermo-hipodérmica aguda, não necrosante, geralmente causada pelo estreptococo β hemolítico do grupo A. Em mais de 80% dos casos situa-se
nos membros inferiores e são factores predisponentes a existência de solução de continuidade na pele, o linfedema crónico e a obesidade. [...] A penicilina continua a ser o antibiótico de referência, embora actualmente diversos fármacos, com propriedades farmacodinâmicas mais favoráveis, possam ser utilizados. A recidiva constitui a complicação mais frequente, sendo fundamental o correcto tratamento dos factores de risco."

Fonte:
http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2005-18/5/385-394.pdf (08-02-2010)
 
 
 
“Erisipela, erisipela

Vai-te para o fogo, vai para o mar

Vai-te embora António

Não tenho o que te dar



Pedro foi a Roma

Encontrou o Senhor

O Senhor perguntou:

- Pedro, que há por lá?

- Muita erisipela

muita gente morre dela.

- Senhor com que se curará?

- Com o esparto e a farinha amarela.



Recolha feita em Santo Antão (Fev/87)”





[Outra versão para a Erisipela]



“Pedro Paulo foi a Roma

Jesus Cristo encontrou

E e Jesus Cristo perguntou:

- Pedro Paulo que viste lá?

- Muita morte repentina

E muita erisipela má.

- Pedro Paulo volta lá

E benze a erisipela má

Com a corda de esparto

E o óleo de oliveira

E a erisipela má secará

E essa gente viverá.

Pai Filho e Espirito Santo.

Alha-se bem o azeite e polvilha-se com farinha de milho.

Embrulha-se com um pano pois quer muito agasalho.



Recolhido feita na Torre (Fev/87)”





Cura do Aguamento



“É feita a crianças pequenas que começam a ficar magrinhas definham, pedem e querem tudo e nada comem.

Ficam pálidas e o cabelo não assenta na cabeça, «andam com o cabelo em pé».

Pede-se um bocado de carne gorda a uma pessoa amiga, com a qual se fazem nove bocadinhos, um para cada um dos nove dias que dura a cura.

Vão-se guardando num saquinho todos os bocados e no fim dão-se a um cão preto.

Com um dos pedaços esfrega-se a espinha da criança debaixo para cima e faz-se uma cruz com a carne ao começar e ao acabar, nove vezes seguidas dizendo:

«Do aguamento te vou curar

Com toucinho velho te untar

Para a um cão preto te dar

Senhora do Livramento

Cura este menino/a do aguamento»

No fim reza-se o Pai-nosso.



Recolha feita na Torre (Fev/87)”





Espinhela Caída



"A espinhela caída seria uma doença caracterizada por dores no estômago, costas e pernas, acompanhadas por extremo cansaço. A espinhela corresponderia à extremidade inferior do esterno, o apêndice xifóide, e seria definida como um pequeno osso, flexível, situado na boca do estômago."





“CAUSAS – Grandes esforços realizados, quedas, maus jeitos dados

sobre uma parte do corpo, tinham como consequência

vómitos, falta de apetite e mal estar.

Dizia-se que estava desmanchada

Com as mãos untadas de azeite, a curandeira ia amaciando o estomâgo numa massagem lenta e ritmada.

- Em crianças, depois da massagem o estômago é apertado com papel pardo e um pano envolto à cintura.

A massagem é feita durante três dias seguidos e nos 4 ou 5 dias seguintes deverá a criança estar em repouso.

- Em adultos é feita a massagem e agarram-se os dedos das mãos e dá-se-lhes um puxão mais para baixo, levantando-se bem os braços de forma a ficarem paralelos na verticar.

Massageia-se novamente e aperta-se o estômago com um lar de pão oi então com um pano embebido em alcool, isto em volta da cintura de modo a apanhar o estômago. São feitas estas massagens durante três dias seguidos e nos nove dias seguintes é recomendado repouso absoluto.



Emília Vieira Alexandre – 68 anos

Rebolaria”





ENTERITE: Para curar a enterite, fazia-se um creme que era aplicado junto ao umbigo. Para esse creme era utilizado Giribão (erva) e uma clara de ovo. Estes dois ingredientes bem misturados eram então aplicados na cura da enterite.



Emília Vieira Alexandre – 68 anos

Rebolaria”





Cura do Bucho Encostado



“[Pode ser provocado por queda ou mau jeito dado a crianças pequenas.

Provoca diarreia, vómitos e a criança fica amarela e com os olhos encovados.]

Deita-se a criança no chão. Tenta-se unir os dedos polegares das mãos, (isto com os pés bem unidos e com uma pessoa a segurar). Se os dedos das mãos unirem está bem. Se os dedos não unirem está escangalhado. Vão-se levantando os braços da criança para cima, ficando perpendiculares ao corpo.

Então concerta-se o «bucho», puxando para cima, com jeito.

Frita-se um ovo, coloca-se num papel pardo com um paninho por cima e põe-se isto na barriga da criança. Liga-se com uma fralda ou ligadura.

Terá de andar asssim três dias. Passados os três dias tira-se o ovo e a criança está boa.

Hoje já não é usado o ovo mas sim azeite.



Recolha feita na Torre (Fev/87)”



Bibliografia: 

D.G.A.E.E. – Batalha. Subsídios Para a Cultura Popular do Concelho da Batalha, s. l. ed. Câmara Municipal da Batalha


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Introdução à temática xamânica




  Olá!!! Deixo-vos aqui algumas citações de um livro sobre xamanismo que li há uns tempos e com as quais me identifiquei. Tratam-se de noções muito básicas mas ainda assim gostava de ter uma opinião critica e indicações sobre outras obras tanto de carácter espiritual como antropológico.

   "O xamanismo é essencialmente um estado de espírito, um modo de ver a vida como um todo. O xamã adquire discernimento e sabedoria ao ligar-se a outras partes da Criação e restabelecendo as divisões existentes entre as diferentes partes."
 
   "[Os xamãs] Praticavam a cura em casos de doença e ferimentos mas não eram especificamente curandeiros. Embora estivem em comunicação com os espíritos e os deuses, não eram exclusivamente sacerdotes, e apesar de darem aconselhamento sábio às comunidades, não eram apenas sábios. Acima de tudo desempenhavam uma combinação destas funções para além de outras."
  
    "Para comprender a função de um xamã, é necessário adoptar uma visão do mundo que se aproxime da dos povos tradicionais. As antigas culturas, mais próximas do em contacto com o mundo natural, foram sociedades típicamente animistas. O animismo é um termo que deriva do latim anima, que significa «alma», e estas culturas mais antigas sustentavam a crença de que todas as coisas possuem uma alma ou um espírito. O papel fundamental do xamã era actuar como intermediário relativamente a outros espíritos da terra: os animais, a terra, a chuva, as colheitas, etc. [...] O xamã podia enviar a sua alma numa viagem para se encontrar com esses outros espíritos e garantir uma busca bem sucedida ou determinar quando uma colheita ia falhar, ou se haveria uma seca. Estas viagens da alma podiam também conduzir o xamã a outras dimensões, onde poderia comunicar com os deuses, para obter conhecimento especial ou adquirir poderes que lhes dessem uma vantagem em tempos difíceis ou, ainda, para obter a cura na doença."

   "Era esta capacidade de viajar livremente por outros domínios que distinguia o xamã. Era frequentemente acometido de inesperadas visões que ocorriam espontâneamente, causadas por experiências traumáticas, tais como a doença grave ou o ferimento. [...] Estes estados alterados podiam também ser provocados por um xamã ao procurar partir numa viagem. [Através do ritmo de um tambor, da dança, de técnicas de respiração ou drogas.]"

   "Embora pareça haver nas modernas sociedades ocidentais pouca necessidade de um xamã ajudar nos problemas relacionados com a alimentação, o tempo ou deuses enfadonhos, existe um lugar para o xamanismo num nível pessoal. O xamanismo é uma forma de encontrar o nosso lugar no universo . Ao embarcar numa viagem xamânica para outros níveis do consciente, o xamã dos tempos modernos pode alcançar profundezas que podem conduzir ao aperfeiçoamento pessoal e à iluminação."

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Yule - um parto de inverno



   Como vos falar das sensações? Não há em mim um génio de grande poeta que faça justiça ao vento e à chuva, ao cheiro da Terra, à dor de um carvalho ferido ou ao olhar de um animal tão gelado como vós que por vos reconhecer como igual já não vos teme... Nem mesmo do estalar de uma fogueira, que por fim vos aquece o regresso a casa, vos sou capaz de falar.

   O significado do yule (solsticio de inverno) é todo o significado do parto, uma luz que nasce da própria escuridão, a personificação da esperança numa criança, esperança na renovação daquilo que está gasto, cansado, apagado. É o grande passo para a Primavera força e plenitude da juventude das coisas. Mas um passo doloroso cheio de dores e sangue, um passo que passa pelo pico do inverno antes dos primeiros raios de sol realmente quentes.

  Entender o que escrevi em cima é fácil, vivenciá-lo é unico, transcendental e dificil. Só partilhando as dores da terra sentirão a essência do pensamento xamânico do sapiens em vez do desligado materialismo do tecnologicus. Por isso digo-vos para irem vocês mesmos.


(fonte da imagem: http://3.bp.blogspot.com/_Hn8NxlFY1hA/RvvQ4l1XxUI/AAAA [acedido a 21-12-2009])AAAAACU/Ji8juM8fmGo/s400/foggy_forest_1_1024.jpg

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Tu Natal, mim Yule" (dicas para uma coexistência pacífica)



  Não é só o peru que se sente ameaçado, há vários anos que vivo o dilema natalício. A dada altura da minha vida deixou de ser só a revolta pela capitalização da época, os seus crimes ecológicos e o facto de só se lembrarem dos pobres uma vez por ano. Ao assumir que não era católica passou a ser um dilema ético. Eu não queria ir à missa nem beijar o menino, gostava de fazer o presépio mas parecia-me uma falta de respeito fazê-lo.
  A revolta chegou ao ponto de me sentir como o Grinch enquanto estava à mesa durante a ceia, mas felizmente descobri alguns truques de sobrevivência. Aprendi a divertir-me com pequenas travessuras: pôr um discreto gnomo no presépio ou na àrvore de natal, mesmo debaixo do nariz cristão; acender uma bonita vela junto à janela da sala de jantar; contar uma história com principios do pensamento xamanico a uma criança irrequieta; ou oferecer um livro de mitologia comparada a um adolescente. Também iniciei uma revolução silenciosa, que muito custou ao meu ego, passei a oferecer coisas feitas por mim e a sugerir que me oferececem utilidades. E por último resignei-me à ideia de que mais vale ajudarem uma vez por ano que nunca.
  Actualmente refugio-me por detrás de uma máscara antropológica e aproveito este dia para conviver alegremente com os meus familiares. No futuro, quando tiver filhos muito provavelmente não vou fazer presépio em minha casa, mas pretendo que o façam em casa dos avós. Quero que eles conheçam e aproveitem o que eu aproveitei quando ia ao pinhal apanhar musgo. Quero que sintam o cheiro do musgo, a terra húmida nas suas mãos, o vento frio a acariciar-lhes o rosto, que vejam os cabelos dos outros cintilar com a gotas de orvalho e colham ramos com bugalhos para fazer de árvores. Quero que brinquem com os mais velhos enquanto constróem o presépio, fazendo montes e vales... E acima de tudo, quero que aprendam o sigificado do natal cristão e do yule da mãe, que respeitem ambos e que um dia possam escolher livremente.

Dicas para um Natal mais ecológico

Luzes de natal:
   Mantenha-as acesas um número limitado de horas acendendo-as quando chega do trabalho e apagando ao ir deitar-se ou elimine-as por completo.


Enfeites de natal:
   Pode optar pelos artificiais que são facilmente reutilizados, nesse caso convém escolher uns dos quais não se canse rápidamente. Se optar pelos naturais o ideal é optar por plantas envasadas, lembre-se que o azevinho e a gilbarbeira são espécies em risco. Se vive numa zona ecológicamente saudável então certifique-se de que faz a colheita sem prejudicar a sobrevivência das plantas. Pode também inovar usando espécies menos tipicas e que não estejam em risco.


Embrulhos:
   A menos que, como a minha avó, abram os presentes cuidadosamente com o intuíto de guardar o papel de um ano para o outro, eles são de facto um crime ecológico. O objectivo do embrulho é manter o suspanse, por isso seja original. Guarde-os todos juntos num grande saco de tecido e entre à meia noite na sala como se fosse de facto o pai natal. Acaba por ser um embrulho personalizado e reutilizável todos os anos.
Uma outra propósta veio de um jantar de natal de amigos meus. Todos os presentes foram embrulhados em papel de jornal o que surpreendentemente produziu um efeito engraçado.


Louça e Talheres:
   É uma grande festa e é certo que se vai sujar muita louça mas seja tradicional e evite os descartáveis, a mesa ficará muito mais elegante.

 
Ementas de Natal:
   O tradicional bacalhau está em vias de extinção, pelo que optar por pratos alternativos é sensato ou pelo menos adquira bacalhau de média/grande dimensão. O peru também é bastante típico, se optar pelo peru prefira animais de criação caseira, além de serem mais saudáveis, viveram e morreram com mais dignidade que os dos grandes aviários. Mas não se fique por aí, dê asas à imaginação e esteja aberto às sugestões de outras dietas:


Assado de amêndoas e caju
(confesso que nunca experimentei esta)


Ingredientes (4 pessoas):
 
4 cebolas médias
5 tomates maduros
2 cenouras médias, raladas
4 fatias grandes de pão integral (duro), esfareladas
100g de amêndoas, moídas
100g de castanhas de caju, moídas
1 colher de sopa de azeite
Sal, a gosto

Preparação:
1º Aqueça o azeite e refogue ligeiramente as cebolas, bem picadas.

2º Retire a pele dos tomates e corte-os em cubos. Adicione-os ao refogado de cebolas, juntamente com as cenouras raladas. Deixe cozinhar durante alguns minutos em lume médio.

3º Esfarele o pão e adicione-o ao preparado anterior. Misture bem. Junte as amêndoas e o caju e deixe cozinhar durante 15 minutos. Tempere com sal.

4º Aqueça o forno a 200ºC.

5º Coloque a mistura numa forma (rectangular) ligeiramente oleada, e comprima um pouco o conteúdo. Leve ao forno durante 30 minutos.


Resíduos:
   Após uma grande festa já se sabe que há muito para arrumar e limpar mas por favor não seja preguiçoso, separe o lixo e deposite-o no ecoponto. Se ainda não é um hábito seu entenda-o como um presente à Mãe Terra.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O círculo e a espiral




   Hoje gostava de partilhar convosco o significado de dois símbolos muito especiais para mim. O significado que vos apresento é uma interpretação pessoal mas que acaba por estar de acordo com diversa bibliografia, pelo que tomo a liberdade.
   O círculo simboliza a natureza cíclica da Vida, parece bastante óbvio, abundam os exemplos como o ciclo da água. Então e a espiral? O traço de uma espiral não passa na verdade da interligação de círculos dispostos dentro de círculos. Assim a espiral simboliza tanto a natureza cíclica da Vida como a interligação dos diferentes ciclos do universo (partes do sistema, orgãos do organismo vivo que é o cosmos), sendo também um excelente símbolo para a progressão espiritual.
   Não é necessário tornar isto muito transcendental. Basta pensar, por exemplo, na relação dos ciclos de luz e escuridão e da passagem das estações com o movimento rotativo da Terra e o ciclo da órbita da Terra em torno do Sol. Certo!?
   A profunda compreensão destes símbolos é fundamental tanto para o xamanismo como para a wicca e tem o poder de transformar até a esquematização da glaciação de Wurm, na aula mais enfadonha, numa experiência quase religiosa. :)   

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Allah ouve melhor à noite


   Partilhar ideias com outros seres humanos tem destas coisas. Numa bela tarde de Verão, Salu Salui quase do nada disse-me a solução para as crises de fé. O importante era definir para nós próprios o que era Deus, só assim podiamos acreditar.
    Recomendou-me então um exercício que, segundo ele, muitos muçulmanos praticam na sua busca pela fé. «Há noite, de madrugada, quando Allah ouve melhor, deves purificar-te e vestir uma roupa de tecido crú limpa, o ideal é ter sido feita por ti. Então deves ficar a noite toda acordada a orar, não precisa de ser uma oração longa podes repetir apenas duas palavras como - "Allah perdoa-me!" [estas eram as que ele usara]. Faz isso por muitas noites seguidas e uma noite vais sentir uma coisa muito especial e algo de maravilhoso vai acontecer-te. [...] Não te preocupes que não vais tornar-te muçulmana mas vais conhecer Deus, o teu Deus.»
   É um exercício poderoso que intuitivamente eu já tinha realizado e que recomendo mesmo para quem os deuses não passam de ideias ou símbolos. De alguma maneira escutar a noite transforma-nos. Não sei explicar o fenómeno por linguagem científica, só sei que seja entender deus(es) ou poesia é me sempre mais fácil a esta hora.