Há semanas horríveis! São aquelas semanas em que vivemos dias de 48 a 72 horas, em que nos sentimos doentes do corpo à alma, chumbamos a frequências e não se entregam trabalhos ou simplesmente preferiamos ter tido um zero. São aquelas semanas em que gritamos com as pessoas erradas, reencontramos cicatrizes antigas, rebenta um abecesso ao gato, achamos um corvo ferido e a cadela tem um parto dificil; perdemos as chaves de casa, e por onde quer que andemos fazemos os cães rosnar, e os bébés chorar. São aquelas semanas em que o ex namorado se lembra de nos informar que quer ir para a cama conosco, e no dia seguinte anda no centro comercial a passear com a mulher grávida; duas das nossas amigas decidem apaixonar-se e chorar baba e ranho, a net vai abaixo de 30 em 30 segundos, a senhoria aumenta a renda, o lava louça entope e a nossa tia descobre-nos no local errado, à hora errada. São aquelas semanas em que se não estivessemos a tentar sobreviver, certamente estavamo-nos a matar.
Nestas semanas preciso de forças mas irónicamente o melhor remédio parece não ser café, mas sim parar. Pelo menos uns minutos ao fim do dia, quando travei mais uma batalha mas ainda não venci a guerra, e neste dia ainda há muito para lutar. Parar 15 minutos, que com sorte até já incluem e deslocação visto que o stress me faz voar... Parar para respirar, de olhos fechados, caída no pinhal ou no cimento de um recanto morto da grande babilónia ... Parar a ouvir, a cheirar e a sentir... a imaginar que ganho raízes ou estou dentro de um útero acolhedor. Quinze minutos para desapertar o nó que sinto na garganta, pedir aos músculos dos braços e pernas para pararem de tremer e baixinho num soluço chorar abraçada à Mãe.
