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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Meditação - Energias de Imbolc

 
 

    O objectivo deste exercicio é entrar em contacto com as energias deste festival. Realizá-lo num bosque ou jardim, ou numa parte da casa em que se possa estar de alguma forma em contacto (escutar/sentir) com o mundo natural irá facilitar. É uma viajem com o objectivo de obter conhecimento e irá encontrar-se com a deusa Brigida. 

"Escolha um local onde se sinta confortável, seguro e bem recebido pelas energias/espiritos desse lugar. Feche os olhos e inicie o exercicio de respiração que usa habitualmente para meditar. Ouça o que se passa à sua volta. Quando se sentir pronto construa na sua mente uma floresta antiga. Uma vez construida, com tanto pormenor quanto desejar, visualise a formação de uma neblina entre as àrvores que avança até envolvê-lo completamente. Quando estiver completamente envolto nesta névoa imagine-se a dar um passo em frente.
Assim que dá um passo em frente a névoa dissipa-se e à sua frente encontra-se uma cabana de palha e madeira ou uma velha forja. Vê uma mulher a trabalhar com o fogo - é Brigida. Observe em silêncio o que ela está a fazer e quando ela terminar o seu trabalho virá ter consigo e sentar-se ao seu lado. Se ela não quizer falar primeiro, pergunte-lhe algo sobre o Imbolc. Deixe que ela o guie pelas respostas e que lhe mostre as energias.
Assim que deseje voltar visualize simplesmente a formação de névoa e dê um passo atrás. Antes de abrir os olhos, escute com atenção o que se passa à sua volta de forma a voltar completamente ao seu estado inicial."   

Adaptado de "Additional Meditation Exercices" da autoria de New Order of Druids
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Outras rodas III - A passagem das estações num mito Iroquês


   

                                   Glooskap by Sharon Matthews
                                                                     (http://www.sharonmatthews.ca)


Como Glooskap encontrou o Verão 



     Há muito tempo atrás, Glooskap vagueou muito para norte, até ao país do gelo, e sentindo-se cansado e com frio, procurou abrigo numa tenda onde morava um grande gigante – o gigante Inverno. Inverno recebeu o deus hospitaleiramente, encheu-lhe um cachimbo com tabaco e entreteve-o com encantadoras histórias do tempo ido enquanto ele fumava. Durante todo esse tempo, Inverno esteve a enfeitiçar Glooskap, pois, enquanto falava num tom monótono e entaramelado, provocava uma atmosfera enregelante que a princípio atordoou Glooskap e que depois o fez cair num sono profundo – a sonolência pesada da época invernal. Dormiu seis meses seguidos após que o feitiço de gelo se quebrou e Glooskap acordou. Tomou o rumo de volta a casa, em direcção ao sul e quanto mais a sul se encontrava, mais quente se sentia e as flores começavam a despontar à sua volta.

    A certa altura chegou a uma floresta vasta e sem trilhos onde encontrou muitas pequenas criaturas que dançavam debaixo de árvores primitivas. A rainha deste povo chamava-se Verão, uma criatura extreamente bela ainda que muito pequena. Glooskap tomou a pequena rainha na sua enorme mão e cortando um comprido laço a partir da pele de um alce, atou-o ao pequeno corpo de Verão. Depois começou a fugir, deixando a corda a rastejar livremente atrás de si.

    As pequenas criaturas, que eram os duendes da luz, vieram atrás dele em grande alarido puxando o laço freneticamente, mas à medida que Glooskap corria, a corda ia acabando e por mais que os duendes puxassem iam ficando sempre para trás.

    Mais uma vez Glooskap dirigiu-se a norte e chegou à tenda de Inverno. O gigante voltou a recebê-lo hospitaleiramente e mais uma vez lhe começou a contar as velhas histórias cujo encanto tanto fascinava Glooskap. Mas desta vez também Glooskap começou a falar. Verão estava deitada no seu peito e a sua força e calor imitiam um tal poder mágico que, aos poucos, Inverno começou a mostrar sinais de incómodo. O suor escorria abundantemente pela sua cara e, gradualmente, começou a derreter, tal como a sua casa. Depois, lentamente, a natureza começou a acordar, o canto dos pássaros começou a ouvir-se, a princípio baixinho, mas depois mais claro e alegre. Os rebentos verdes da relva nova começaram a aparecer e as folhas mortas do último Outono foram arrastadas para o rio pela neve que ia derretendo. Por fim, as fadas apareceram e Glooskap, deixando Verão com elas mais uma vez retomou o seu caminho rumo ao sul.


Fonte: SPENCE, Lewis, 1997, Guia Ilustrado de Mitologia Norte-Americana, Lisboa, Editorial Estampa

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Chuvas de Mabon



   E não é que o primeiro dia de Outono trouxe chuva? Pois é nada de folhas de tons outonais, castanhas ou qualquer outra coisa digna de uma ilustração de calendário, chuvinha, que a mudança leva o seu tempo.  

   Mas se pensarmos bem, foi fantástico já lá vão uns anos desde que Setembro me cheirava a Outono, por isso este ano apesar de achar que o vento estava diferente fiquei céptica até ao fim e preparava-me para esperar mais uns meses até sentir a mudança. Confesso que no meu coração já tinha declarado o óbito do Outono à dois anos, mas afinal o meu coração encheu-se de esperança. Claro que ainda virá por aí muito calor, mas se a semana se aguentar assim, já fico convencida de que houve Outono.

   Este Mabon como estava de luto pela estaçao não queria fazer nada mas ao sair à rua comecei a sentir aquele vento diferente e fiz um passeio agradável, comi das frutas que encontrei, observei a mudança do tempo e principalmente senti-a cá dentro.

 

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ideias para Lughnasadh - sugestões de emergencia



 
 Hoje é um dia especial, trata-se de mais um festival solar, o 1º de Agosto Lughnasadh. É a festa das primeiras colheitas, em especial dos cereiais e que este ano coincide também com a lua cheia que aliás é uma lua azul. Portanto, tarde ou cedo, hoje e enquanto reina a lua cheia no céu, é hora de comemorar e aqui ficam algumas ideias:

Faça uma saudação ao sol, por exemplo pelos movimentos homónimos do yoga. Basta googlar para os aprender de forma simples.

Colha cereais e se não tem horta não é preciso entrar em panico, existem muitas plantas silvestres que são os antepassados dos nossos cereais, pode por exemplo colher e colocar no altar.

Ou se for mais conhecedor desta esquecida riquesa botanica poderá cozinhar um pão e comungar com os deuses.

Crie ambiente use cores vivas e decore o seu espaço com objectos relativos às colheitas e dispondo os produtos horticulas de forma estética.

Medite sobre a importância para a vida humana do cultivo de cereais e a fome no mundo. Avalie o valor económico dos cereais a nivel  mundial, e pense a relação entre e a noção de sacrificio do mito de lugh e os custos ambientais e humanos das grandes explorações bem como as lógicas de mercado entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.

Tome uma posição quanto aos transgénicos ou tente.

Boicote produtos cujo os cereais são declaradamente de explorações social e ecológicamente incorrectos.


Aventure-se na cozinha afinal qualquer bolo, biscoito, bolacha terá cereais por base. Mas poderá também fazer algumas conservas e sim congelar polpa de tomate caseira conta ;P.

Reuna amigos em casa ou noutro sitio qualquer, aproveite e leve os biscoitos que fez. A doença celiaca não deve ser desculpa afinal existem cereais naturalmente isentos de gluten como o arroz e abundam receitas livres deste e outros alergénicos como a lactose.

Aprenda a fazer cerveja caseira e não se preocupe se não ficar pronta esta semana. Para tal existem imensos videos no youtube com receitas mais ou menos complicadas.


Faça um ritual de agradecimento e um pedido de fartura e prosperidade.




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um novo Pinhal


    Apesar de continuar a não sentir o Verão e de ter falhado as minhas colheitas anuais, hoje aconteceu algo muito positivo e esperemos que animador. Sim, depois das melhorias na visualização, tenho andado um pouco em baixo porque não me sinto em sintonia com a estação e tenho tido alguns problemas alimentares. Em Maio o calor abrasador e todas aquelas chuvas convectivas anteciparam muitas coisas que eu por teimosa confiança no calendário não colhi. Mas agora parece não estar calor suficiente para muitas outras, e assim parece estar tudo ao contrário. Eu bem que sinto o vento chamar-me mas não com a voz do Verão e isso confunde-me.
    Hoje, porém, descobri um novo pinhal, é muito pequeno mas está cheio de vida e o acesso é muito mais discreto que o anterior, pelo que tenho esperança que se torne o meu novo sitio para estar e aprender. 
    Como fui lá aproximadamente uma hora antes do anoitecer pude ficar quieta e ver a vida a tornar-se cada vez mais agitada à minha volta. É um local muito bom para observar aves o que me despertou curiosidade sobre o assunto, afinal eu bem que podia aprender a distinguir algumas. E porque não também rastos de animais? E distinguir espécies de borboletas? E fazer um herbário para fixar de vez umas quantas árvores?
    Enfim, estou como uma criança cheia de planos e porquês, mas como estou de férias quem sabe se não vou mesmo prosseguir com algum destes desejos.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

2 de fevereiro - Senhora das Candeias

 flor de oliveira por M Cruz


    Imbolc, Candlemas, Festa de Brigida... por aqui tradicionalmente chamamos-lhe Dia da Senhora das Candeias, nome cristão que remete para o fogo, que logo se associa ao festival (neo)pagão. Segundo a minha avó este dia assinala o inicio da floração das oliveiras (oliveiras = azeite = luz) e é tempo de se comerem filhoses (antigamente tb fritas em azeite), que segundo ela têm anualmente três dias específicos: o natal, 8 de Dezembro (Imaculada Conceição) e este.
   Igualmente tradicionais em Portugal são os prognósticos do tempo e existem diversos dizeres semelhantes ao seguinte:  «se as candeias rirem o Inverno está dentro, se as candeias chorarem o Inverno está fora». Ou seja, se neste dia fizer sol metade do Inverno ainda está para vir, mas se chover metade do Inverno já se foi. Vamos todos prever até porque se falharmos podemos desculpar-nos dizendo que é ano de El ninõ ou La ninã ou que os tempos estão todos trocados...  ;P 
   Deixo-vos então uma receita que não é de filhoses mas de sonhos, que vá lá são parentes e neste caso pelo muito fáceis e rápidos de fazer.

Sonhos Pobrezinhos
(a receita tem este nome por ser considerada uma versão mais económica que as tradicionais)

1 ovo
6 colheres (sopa) de farinha
1 colher (chá) de fermento em pó para bolos
raspa de 1 laranja e sumo de meia
1 pitada de sal
água q.b.

Óleo de girassol (para fritar)


Desfaz-se a farinha num pouco de água; junta-se a raspa e o sumo de laranja, o sal, o fermento e a gema de ovo e por fim a clara batida.
Fritam-se em óleo vegetal, doseando-se a massa às colheradas. quando estiverem bem loirinhos tiram-se, põem-se a escorrer e passam-se por açúcar e canela ainda quentes.

Obs: Há quem goste de adoçar um pouco a massa ou aromatizar com um pouco de agua ardente. Eu cá acho que devem seguir a vossa intuição e adaptar a receita de forma tão simples ou exuberante quanto vos apetecer. 






terça-feira, 15 de junho de 2010

A minha Receita para os Fogos de Solstício - Litha

Fogueiras de São João em Idanha a Nova, foto de João Lopes Cardoso 



   Para uma noite de fogo mágico além de boa disposição não há nada como alimentar a fogueira com as ervas tradicionais: "Burganiça, louro e rosmaninho, para estalar e cheirar bem!" como diz a minha avó. Tenho saudades de saltar as fogueiras, lembro-me de passar a tarde a colher burganiça (à esquerda), mas confesso que não tenho qualquer memória do rosmaninho ou do louro, mas adorava voltar a experimentar. Este ano mesmo que, ao contrário de outros tempos, já não seja possível carregar carrinhas de caixa aberta de burganiça gostava de pelo menos queimar um pouco a apimentar a menos tradicional fogueira. Vamos ver se os exames deixam.
                                          Que os vossos festejos sejam felizes!!!

  

terça-feira, 8 de junho de 2010

O São João - excertos de Etnografia Portuguesa de Rocha Peixoto

Pavilhão - além das simples fogueiras na rua havia as fogueiras com
pavilhões construídos e decorados onde dançavam ranchos ensaiados,
com músicas e letras feitas de propósito.
Fonte: http://www1.ci.uc.pt/gfc/fogueiras.htm
  
  Olá, aqui vos deixo mais algumas citações de um artigo da autoria de Rocha Peixoto, desta feita sobre o São João. Um  festejo tradicional muito próximo da data do solstício estival e que, segundo o autor, assumia como carregado de reminescências  de um culto solar e fálico.
   “Na superstição actual é sagrada a água, da meia noite ao romper da alva, e, portanto, incorruptível; pão amassado nela dispensa o fermento; rapariga que com ela se lave fica mais escarolada; até, na tradição normanda, remoçam os velhos, só por apanharem as orvalhadas. Como na noite de S. João está benta, tira as febres e rebenta o cabelo aos calvos; é a água de longa vida; e entre todas as virtudes mais maravilhoso é o seu poder divinatório. Em Vila do Conde dirigem-se as raparigas à fonte, atiram-lhe uma pedra e cantam:

Vamos raparigas todas

À fonte de S. João,

Vamos atirar a pedra,

Ver se casamos ou não.

o que é afirmativo, nesse ano, se cai dentro. Conserva-se um bochecho de água na boca, na meia noite de S. João, até que se oiça o primeiro nome de homem, que será o do noivo; de vários papéis com nomes diversos e lançados na àgua, um se mostrará aberto ao outro dia , revelando o do desposado; [...]

   Na noite de S. João as orvalhadas purificam todas as ervas, mesmo as venenosa e as malfazejas. Enramalham-se os campos e os currais com as plantas colhidas então, para não dar mal aos gados nem o bicho nas sementeiras; a mulher que deseje o cabelo comprido e basto, corta-lhe as pontas e deposita-as no rebentão das silvas; rosmaninho e funcho, alecrim e sabugueiro, servem de para defumadoiros, afastam as trovoadas e livram a casa do raio; o alho afugenta o espírito maligno; o azevinho, que se vai colher dançando em roda, tocando e cantando, é uma erva de boa sorte; enfim:

Todas as ervas são bentas,

Na manhã de S. João,

Só o trevo, coitadinho,

Fica de rastos no chão.

   Menos o de quatro folhas. Esse, colhido na noite S. João e colocado sobre a pedra da ara, faz com que se despose a pessoa desejada.

   Das plantas tiram-se prognósticos relativos ao amor. Em certos países as raparigas compõem um ramalhete com nove flores diversas obtidas em outros tantos terrenos diferentes e colocam-no depois à cabeceira da cama, cuidando em seguida de dormir e sonhar; o que virem em sonhos eis o que se realizará. Consultam-se as plantas, procurando presságios acerca do esposo futuro, como se solicitam os santos dos nichos:

Oh meu santo Eliseu,

Casar quero eu.

ou se indaga das aves:

Cuquinho da ramalheira,

Quantos anos me dás de solteira.[?]

   Chamuscada uma alcachofra na fogueira e posta e posta depois ao relento no telhado, denunciará no outro dia, se reverdesce, a leal reciprocidade do afecto. E para avaliar em qual de ambos é mais intenso, cortam-se dois pedaços de junco muito iguais, que representam os amantes, um dos quais se mais cresceu, indica quem mais sente:

Dizes que me queres bem,

Ainda o hei-de de experimentar;

Na noite de S. João

Junco verde hei-de de cortar.

   Por fim o sentido fálico primitivo das festas transmitiu-se e ainda transparece nos mais insignificantes pretextos da colheita das ervas de virtudes:


Oh que lindo luar faz,

Para colher macela;

Vamos-la colher ambinhos,

Faremos a cama nela.”



   “[...] Depois dos vestígios dos cultos da água e das plantas distinguem-se ainda os que se filiam no fogo. O astro, iluminando neste dia todo o céu, tem em toda a festa que se lhe consagra, o símbolo nas fogueiras. É o galheiro ou facho da Beira Alta, nos outeiros, e as mais modestas laberedas das quintãs. [...]

   Como a festa é de triunfo e de fecundidade, à fogueira também se liga uma intenção benéfica ou divinatória. O nome do pobre que se liga uma intenção benéfica ou divinatória. O nome do pobre que recebe uma moeda atirada à fogueira do S. João será o do noivo que caberá à rapariga que deu a esmola. Saltando pelas fogueiras é bom dizer:

Fogo no sargaço,

Saúde no meu braço.



Fogo no rosmaninho,

Saúde no meu peitinho.

Etc.”
   Outras referências ao aspecto fálico do festival estariam segundo R. Peixoto noutras quadras que representam o Santo como um sedutor, algo inesperado e desconcertante no seio do catolicismo:

“S. João para ver as moças

Fez uma fonte de prata;

As moças não vão a ela

S. João todo se mata.”



“À porta de S. João

Nascem rosas amarelas;

S. joão subiu ao céu

A pedir pelas donzelas.



S. João diz que é velho,

É velho mas tem amores,

Que lhe acharam no bolso

Um raminho de flores.



S. joão fora bom santo

Não fora tão gaiato,

Levava as moças p’ra fonte

Iam três e vinham quatro.

Na noite S. João

É que é tomar amores,

Que estão os trigos no campo,

Todos cobertos de flores.”



“S. João adormeceu

Nas escadas do coro,

Deram as freiras com ele,

Depinicaram-no todo.”

quarta-feira, 24 de março de 2010

Outras Rodas II - A Roda das Colheitas (plantas mágicas e medicinais)



  As culturas animista/xamânicas falam muitas vezes de plantas sábias referindo-se a plantas medicinais e mágicas. As plantas são mágicas por posuírem poderes divinatórios, abrirem as portas ao conhecimento extático, funcionarem como amuleto ou estarem associadas a alguma divindade.  Para mim que gosto muito de as conhecer esta é uma visão lindíssima e há de facto muito a aprender. Outro dia tracei a roda do ano e preenchi-a com as épocas de colheita de algumas das plantas que mais utilizo e assim ficou bem explicito o ciclo de regeneração da Terra. A mãe pede-nos uma trégua nos meses de Inverno mas oferece-nos fartura mais de metade do ano, sinto-me grata por isso. Aproveitá-la é uma oportunidade ao nosso dispor mas requer sabedoria e respeito.
   Aqui vos deixo uma listagem de algumas das plantas que eu própria colho fora do meu quintal e respetiva simbologia e data de colheita. Mas atenção! Nos últimos anos a colheita já se chegou a atencipar um mês em relação à data tradicional, pelo que devem estar atentos ao ritmo da terra. Por outro lado a simbologia mágica que apresento é meramente indicativa, quanto mais pesquisarem sobre o assunto mais vão encontrar e talvez até contraditórios. Por isso não se stressem e sigam a vossa intuição, e visto que a visualização é tão importante nestas coisas a meu ver não se perde nada em seguir associações pessoais.
                                                                                        

Regras Básicas

  1. Assentar ou reavaliar os seus conhecimentos fitoterapeutico em literatura científica recente.

  2. Usar para fitoterapia apenas plantas que conhece bem e se apresentam sãs. 

  3. Respeitar sempre as dosagens e modos de preparação e ter sempre em conta os avisos a respeito da sua tóxicidade e contra indicações.

  4. Não colher plantas protegidas ou em vias de extinção (variável de região para região).

  5. Colher quantidades modestas sem colocar em risco a sobrevivência da planta ou colónia (as plantas devem ser usadas no prazo máximo de 1 ano).

  6. Colher de manhã em dias de sol depois de o orvalho evaporar.

  7. Secar totalmente à sombra e só depois armazenar.


Alecrim (Rosmarinus officinalis)

Colheita: flores no auge da floração (Maio e Junho), folhas (todo o ano) 
Partes usadas: folhas e flores
Aplicações: fitoterapia, sachês, defumação
Simbologia: saúde, amor, purificação

Alfazema (Lavandula officinalis)

Colheita: Maio e Junho
Partes usadas: flores (fitoterapia) ou toda a planta  
Aplicações: fitoterapia, sachês, óleos, condimento
Simbologia: felicidade, amor, paz, purificação, protecção


Camomila-vulgar / Margaça-das-boticas
(Chamomilla recutita / Matricaria Recutita)

Colheita: Primavera
Partes usados: Capítulos (flores)
Aplicações: fitoterapia, tisana, cosmética, óleo, sachês
Simbologia: amor, purificação


Carvalho-roble (Quercus robur)

Colheita: Abril e Maio (casca), Outono (frutos)
Partes usadas: casca dos ramos jovens finamente cortada e esmagada (fitoterapia)
Aplicações: fitoterapia e uma enormidade de outros usos etnobotânicos
Simbologia: sabedoria, longevidade, força, a bolota devido ao seu formato fálico é associada à virilidade e fertilidade masculina


Cidreira (Mellissa officinalis)

Colheita: de Julho a Setembro durante a floração
Partes usadas: folhas
Aplicações: fitoterapia, tisana, sachês
Simbologia: purificação, amor 


Giesta (Cytisus scoparius)

Colheita: Maio e Junho (flores ao desabrochar)
Partes usadas: flores (fitoterapia) e ramagem
Aplicações: fitoterapia, vassouras
Simbologia: está associada aos festejos do 1º de Maio - Beltane 


Hipericão (Hypericum perforatum)

Colheita: Verão
Partes usadas: sumidades floridas
Aplicações: fitoterapia, sachês
Simbologia: planta solar associada a S. João e portanto ao solsticio de Verão - força, vitalidade




Hortelã Pimenta (Mentha x piperita)

Colheita: Verão
Partes usadas: folhas
Aplicações: fitóterapia, tisanas, óleo, sachês
Simbologia: saúde, amor, purificação, protecção, potencia a percepção psíquica 


Loureiro (Laurus nobilis)

Colheita: Verão
Partes usadas: Folhas e frutos (só devem ser usados secos antes disso contêm cianeto)
Aplicações: fitoterapia, condimento, Foguerias de São João (ramos com bagas)
Simbologia: força, clarividência


Lúcia-lima (Aloysia triphylla)

Colheita: Julho e Outubro
Partes usadas: folhas
Aplicações: tisanas, óleo, sachês
Simbologia: amor, purificação


Lúpulo (Humulus lupulus)

Colheita: Outono quando ficam amarelo-esverdeada
Partes usadas: flores femininas
Aplicações: fitoterapia, cerveja
Simbologia: na Mordóvia (Rússia) é associado à fecundidade
Oliveira (Olea europacea)

Colheita: Entre Março e Abril (folhas antes da floração), Novembro e Dezembro (fruto)
Partes usadas: folhas e fruto
Aplicações: fitoterapia, alimentação, óleo com diversas utilidades, sachês
Simbologia: paz e a meu ver também à prosperidade


Mangerona (Origanum majorona)

Colheita: de Julho a Setembro
Partes usadas: Sumidades floridas
Aplicações: fitoterapia, condimento
Simbologia: felicidade, amor


Oregão-vulgar (Origanum vulgare)

Colheita: de Julho a Setembro
Partes usadas: sumidades floridas
Aplicações: fitoterapia, condimento, sachês
Simbologia: felicidade


Papoila-das-searas (Papaver rhoeas)

Colheitas: entre Maio e Junho
Partes usadas: Pétalas
Aplicações: fitoterapia, sachês
Simbologia: sorte mas eu nunca me esqueço do seu rubor


Pilriteiro (Crataegus laevigata)

Colheitas: Abril e Junho (flores) e Outono (fruto - pilrito)
Partes usadas: sumidades floridas(em botão ou a desabrochar) e frutos
Aplicações: fitoterapia, alimentação, sachês,
Simbologia: planta sagrada do Beltane


Salva (Salvia officinalis)

Colheitas: no Verão pouco antes da floração ou no Outono
Partes usadas: folhas
Aplicações: fitoterapia, condimento, defumação, óleo, sachês
Simbologia: protecção e espiritualidade


Silva (Rubus fruticosus)

Colheita: na Primavera antes da floração
Partes usadas: folhas jovens e tenras (fitoterapia) e frutos
Aplicações: fitoterapia, alimentação
Simbologia: força, vitalidade

Silva-macha (Rosa canina)

Colheita: entre Junho e Setembro
Partes usadas: frutos e flores (apenas para sachês)
Aplicações: fitoterapia, culinária, tisanas, sachês
Simbologia: tal como as restantes rosas está associada ao amor, mas nas rosas existem várias cores como na vida vários amores, um aspecto a ponderar.


Tília (Tilia cordata, T. platyphyllos e seus hibrídos)

Colheita: Junho depois de dois terços da planta terem florido 
Partes usadas: inflorescências e alburno
Aplicações: fitoterapia, tisanas, sachês
Simbologia: amor, árvore das fadas


Tomilho-vulgar (Thymus vulgaris)

Colheita: inicio da floração
Partes usadas: folhas e sumidades floridas
Aplicações: fitoterapia, condimento, óleo, sachês
Simbologia: força, clarividência


Urtiga (Urtica dioica)

Colheita: Maio e Junho
Partes usadas: folhas (fitoterapia e alimentação) e raízes (fitoterapia)
Aplicações: fitoterapia, alimentação


Urze (Calluna vulgaris)

Colheita: entra Julho e Outubro
Partes usadas: sumidades floridas
Aplicações: fitoterapia, fogueiras de S. João, sachês (burganiça)  
Simbologia: associada ao solstício


Videira (Vitis vinifera tinctoria)

Colheita: Outono
Partes usadas: folhas quando vermelhas (fitoterapia), frutos
Aplicações: fitoterapia, alimentação, sachês
Simbologia: associada aos cultos extáticos - libertação



 
Boas Colheitas!!!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Apresentação



Olá
   Já ouviram falar na roda do ano? Provavelmente já. É uma das visões cosmológicas mais lógicas para quem vive num país com quatro estações. Eu vivo num país assim, ainda que não saiba ao certo por quanto mais tempo assim será. É um país com plantas e animais magníficos e todos eles podem ser felizes se o sapiens der jus ao seu nome.
   Costumam dizer-me que sou wiccana, mas eu acho que não, pois se fosse certamente me identificava com os muitos wiccanos que conheço. Já fiz rituais com alguns, já jantei, já conversei... mas a verdade é que poucos me parecem ecológicamente sensatos e humanamente tolerantes.
  Eu sou eu, não sou perfeita, estou em construção e envergonho-me de muitos dos meus actos. Busco uma cosmologia, não é que seja uma novidade na minha vida mas desde que fui desenraizada sinto-me amnésica e desligada, o mundo de betão sufoca-me e aqui as pessoas distraem-me.
  Assim a Senhora dos Cogumelos busca-se a si própria e outros que sigam os mesmo propósitos. Qualquer pessoa pode comentar este blogge na opção anónimo, por isso apelo a que o façam sempre que o desejarem.