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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Rotina Ayurvédica - Deitar cedo e cedo erguer fará bem em todo o lado?



     Estou bem consciente do bem que me faz ver o nascer do sol e começar o dia a cuidar de mim mas não estava à espera de tropeçar num livro sobre medicina  ayurvédica (livro breve que me pareceu bom para introduzir o assunto) e identificar-me com a rotina sugerida. Será que deitar cedo e cedo erguer faz bem em todo lado? Talvez seja um pouco como no mistério das piramides e não seja invulgar que perante o mesmo problema e mediante os mesmos recursos, membros da mesma espécie encontrem soluções semelhantes.
    A medicina ayurveda acredita no estabelecer de uma rotina como uma forma de harmonização e promoção do bem estar do individuo, sendo esse bem estar entendido de uma forma holística. Eu cá não sou um exemplo de disciplina mas reconheço por experiência que nos periodos em que consigo estabelecer uma rotina semelhante a esta me sinto muito melhor. Vejamos:

  1. Acordar antes do nascer do sol
  2. Evacuar bexiga e intestinos
  3. Examinar e limpar os dentes, lingua, mãos e rosto  (para nós que pensamos na higiene oral como uma prática preventiva de cáris a fazer após cada refeição esta ordenação pode não fazer sentido no entanto parece-me que na lógica ayurveda a higiene oral reflete também preocupações de purificação e no cuidado de pontos energéticos do corpo.)
  4. Colocar duas gotas de óleo de sesamo em cada narina
  5. Gargarejar com óleo de sesamo
  6. Aparar as unhas e no caso dos homens também a barba
  7. Fazer auto-massagem - abhyanga (tem como objectivo garantir que a energia vital do corpo circula sem problemas)
  8. Fazer exercicio apropriado ao seu estado
  9. Tomar banho ou duche
  10. Vestir roupas limpas e confortáveis 
  11. Fazer meditação matinal perto do nascer do sol (o livro não referia nenhuma forma de meditação em particular  e eu costumo praticar a meditação atenciosa)
  12. Tomar um pequeno-almoço leve (vai contra a lógica da maioria dos nosso nutricionistas mas sem duvida que comigo sempre funcionou melhor assim)
  13. Trabalhar ou estudar 
  14. Almoçar uma refeição que deve ser a maior do dia e adaptada à nossa condição fisica e estação do ano (há muito tempo que descubri que tenho de fazer isto ou começo a ter fomes exarcebadas)
  15. Continuar a tabalhar e estudar
  16. Fazer meditação ao fim da tarde perto do pôr do sol
  17. Jantar uma refeição leve e de fácil digestão de acordo com a sua constituição e estação do ano.(Tento ter sempre em conta o meu grau de fome)
  18. Dar um passeio de aproximadamente 20 min. (excelente para a digestão. adoro fazer isto)  
  19. Actividades leves e agradáveis (vão promover o relaxamento e um sono descansado)
  20. Ter relações sexuais se desejadas (esta ordenação do sexo está muito correlacionada com questões morais da filosofia ayurvéda)
  21. Adormecer antes das 10 da noite(provávelmente será um horário inevitável para quem acorde antes do nascer do sol)

Fonte: GERSON, Scott. (1995). Ayurveda: a antiga medicina indiana. Editorial Estampa. Lisboa

     
 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Em defesa das vossas janelas


 
 
     Marian Green e Arin Murphy-Hiscock são algumas das vozes defensoras da observação directa das fases da lua em vez do uso do calendário, pois na sua perspectiva é um acto que desenvolve a nossa conexão com os ciclos da natureza e nos desliga do mundo do cronómetro. No entanto para muita gente a observação directa não é muito prática, estão demasiados agarrados à ideia de precisão que o calendário oferece, de vez em quando ainda trocam um crescente com um minguante, ou simplesmente por condições climatéricas ou desconhecimento já passaram bastante tempo a prescutar o céu e não viram lua nenhuma, sendo que não era lua nova.
 
    Ora porque também eu sou defensora da observação directa aqui vão algumas dicas e esclarecimentos:

  1. Quando a lua tem a forma de um D é donzela (crescente) e quando tem a forma de um C é anciã (minguante). 
  2. No inglês o termo new moon (lua nova) tanto pode dizer respeito a new moon/crescent moon, que é diferente de Waxing moon (quarto crescente), como new moon/dark moon.
  3. A lua não nasce sempre à mesma hora:
  • A lua nova/crescente (new moon/crescent moon) nasce sempre várias horas depois do nascer do sol pelo que não a conseguimos ver pelo brilho solar na sua próximidade. O primeiro vislumbre que temos desta lua é um fino crescente, as duas pontas voltadas para cima e para a esquerda, baixa no horizonte a oeste ao pôr do sol. Quando o crescente é contemplado pela primeira vez, pode por vezes perceber-se o resto da lua na sombra.
  • O quarto-crescente (waxing moon) nasce entre o meio da manhã e o final da tarde, e põe-se perto da meia-noite.
  • A lua cheia (full moon) nasce sempre ao pôr-do-sol. 
  • O quarto-minguante (waning moon) nasce entre a tarde e o final da noite.
  • A lua escura/lua nova (new moon/dark moon) nasce com o sol e por isso não a conseguimos ver.
   
     Acreditem, pode parecer um mero detalhe pegar no calendário ou esticar o pescoço para fora da janela mas existe uma grande diferença. Enquanto os calendários muitas vezes se encontram normalizados segundo a convenção dos 30 dias e apenas assinalam o zénite de cada fase em termos astronómicos, a observação menos precisa convida-nos à intuição e à relação diária com todo o ciclo. É por isso que momento em que um observador sente uma anciã já tão ténue que a declara de coração uma dark moon será certamente distinto do assinalado pelo calendário. E o mesmo se passa com o momento em que nos deparamos com uma viçosa new moon/crescent moon ao cair da noite, é de facto sentido como o regresso da donzela bem antes do dia marcado com o crescente no calendário (uma verdadeira Waxing moon).
 
    Se não uso mesmo o calendário? Sim às vezes uso, por exemplo no Inverno quando se passam noites seguidas com o céu nublado. Mas a observação permitiu-me desenvolver uma relação intensa na qual com o tempo aprendi a confiar e não é invulgar que quando lhe perco as contas me limite a deitar com as persianas levantadas e a janela com uma fresta aberta para ser acordada pelo luar e logo ver a minha dúvida esclarecida.
 
    A observação do nascer ou pôr-do-sol também é muito importante e defendida por Green, ajuda-nos a conhecer o ciclo da estações, a conhecer o meio ambiente que nos rodeia e na relação com o divino. Pessoalmente gosto de ter consciência do nascer do sol e por isso regra geral não me importo que ele me acorde. Até porque sou daquelas pessoas que se não tencionar levantar da cama, acorda, sorri, vira para o lado e dorme.

 
Acho que cada um deve estabelecer a sua estratégia mas todos deviam experimentar a observação directa.

  



Nascer do Sol por Hugo Graça


Bibliografia:
GREEN, Marian, 2002. A Witch Alone – Thirteen moons to master natural magic, Thorsons
MURPHY-HISCOCK, Arin, 2005. Wicca Solitary for Life, Avon – Massachusetts, Provenance Press





  

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Allah ouve melhor à noite


   Partilhar ideias com outros seres humanos tem destas coisas. Numa bela tarde de Verão, Salu Salui quase do nada disse-me a solução para as crises de fé. O importante era definir para nós próprios o que era Deus, só assim podiamos acreditar.
    Recomendou-me então um exercício que, segundo ele, muitos muçulmanos praticam na sua busca pela fé. «Há noite, de madrugada, quando Allah ouve melhor, deves purificar-te e vestir uma roupa de tecido crú limpa, o ideal é ter sido feita por ti. Então deves ficar a noite toda acordada a orar, não precisa de ser uma oração longa podes repetir apenas duas palavras como - "Allah perdoa-me!" [estas eram as que ele usara]. Faz isso por muitas noites seguidas e uma noite vais sentir uma coisa muito especial e algo de maravilhoso vai acontecer-te. [...] Não te preocupes que não vais tornar-te muçulmana mas vais conhecer Deus, o teu Deus.»
   É um exercício poderoso que intuitivamente eu já tinha realizado e que recomendo mesmo para quem os deuses não passam de ideias ou símbolos. De alguma maneira escutar a noite transforma-nos. Não sei explicar o fenómeno por linguagem científica, só sei que seja entender deus(es) ou poesia é me sempre mais fácil a esta hora.