Existem muitas razões para se fazer uma oferenda mas no fundo o que está em causa é um sistema de troca. Frequentemente realizadas não apenas como retribuição por um favor mas também como garantia de que se será favorecido, as oferendas são grandemente questionadas, e com alguma razão, pelos mais racionalistas.
Perguntaram-me porque faço oferendas à Terra, Gaia, Deusa... se sei que não me cai um raio em cima se não o fizer e que isso não impedirá a ocorrência de catástrofes. Respondi simplesmente: - Por educação!
Sim, para mim é fundamentalmente uma questão de boa educação. Eu olho para o mundo e percebo que a minha existência tal como a de todos os seres vivos depende de como funciona aquilo a que chamamos Cosmos. Nesse momento de profundo esclarecimento em que me sinto tão ligada à Terra e ao Todo, sinto a mesma obrigação que se sente em dizer um "obrigado" a quem nos cede passagem, ou um "bom dia" a quem passa por nós sorridente, ou até de levar a chavena da esplanada para o balcão naquele café cujo o dono é tão simpático. São pequenas coisas que não mudam nada, nem prejudicam ninguém e que nos fazem sentir bem, então porque não fazê-las?
Por outro lado sinto que as minhas oferendas são hipócritas se o meu estilo de vida não é minimamente ecológico, pelo que não é algo que faça de animo leve. Da mesma maneira que penso muito bem no que vou oferecer. Normalmente ofereço, alimentos, especiarias ou queimo simplesmente um pau de incenso numa noite em que me sinto estarrecida pelo luar. Nada de muito suptuoso, sacrificar grandes quantidades destes recursos seria um contra-senso, pois a produção destes bens também tem custos para a Natureza. Uma oferenda é para mim sempre um acto simbólico de partilha, que simultaneamente resulta e conduz à reflexão.
