terça-feira, 9 de junho de 2015
Pecados Pagãos!? - Velas, Velinhas e muita Parafina
Ok!!! Vamos pôr a coisa nestes termos, toda a gente gosta de usar velas, nem que seja só num momento ou outro, e velas baratas dão imenso jeito. Tudo isso rima com parafina que é um derivado do petrólio o que não combina com ecologia. Vai daí eu que sou forreta e já me tentava conter com as velas descobri uma receita simples que apesar de não ser 100% eco já é alguma coisa.
Receita:
meio litro de óleo usado
25g de restos de vela (penso que ficará melhor se levar mais)
linha de algodão grossa
essência (opcional)
Aquecer o óleo até que os restos de vela derretam, verter a mistura em latas (salsicha, atum, patê), já com a linha lá dentro e deixar solidificar.
Resultou em 2 velas cremosas que duram e duram, mas ainda com algum cheiro a óleo pelo que decidi guardá-las para usar no exterior. O cheiro do óleo, deve desaparecer devido à estearina presente nos restos de vela, por isso para a próxima vou juntar mais restos de vela.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Do We Really Need the Moon? - BBC Documentary 2011
Para mim, ver este documentário é quase como ler um texto sagrado e como Elisabet Sahtouris postula, certamente que nenhum mal virá ao mundo se uma religião venerar o nosso planeta.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Depois de um longo silêncio
Isto ainda não acabou, este blog não está morto. Estou simplesmente num processo de aprendizagem interna. Na vida é sempre assim, "quando um burro fala, o outro baixa as orelhas" e eu estou de orelhas baixas a aprender. Tem sido terrivel, toda a maturidade que julgava ter parece ter desaparecido e de repente sou de novo adolescente. Grito, choro, esperneio e contradigo-me. Para o blog até tenho ideias mas não consigo escrever sobre isso. Primeiro preciso de estar em harmonia com o meu novo ser.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Meditação - Energias de Imbolc
O objectivo deste exercicio é entrar em contacto com as energias deste festival. Realizá-lo num bosque ou jardim, ou numa parte da casa em que se possa estar de alguma forma em contacto (escutar/sentir) com o mundo natural irá facilitar. É uma viajem com o objectivo de obter conhecimento e irá encontrar-se com a deusa Brigida.
"Escolha um local onde se sinta confortável, seguro e bem recebido pelas energias/espiritos desse lugar. Feche os olhos e inicie o exercicio de respiração que usa habitualmente para meditar. Ouça o que se passa à sua volta. Quando se sentir pronto construa na sua mente uma floresta antiga. Uma vez construida, com tanto pormenor quanto desejar, visualise a formação de uma neblina entre as àrvores que avança até envolvê-lo completamente. Quando estiver completamente envolto nesta névoa imagine-se a dar um passo em frente.
Assim que dá um passo em frente a névoa dissipa-se e à sua frente encontra-se uma cabana de palha e madeira ou uma velha forja. Vê uma mulher a trabalhar com o fogo - é Brigida. Observe em silêncio o que ela está a fazer e quando ela terminar o seu trabalho virá ter consigo e sentar-se ao seu lado. Se ela não quizer falar primeiro, pergunte-lhe algo sobre o Imbolc. Deixe que ela o guie pelas respostas e que lhe mostre as energias.
Assim que deseje voltar visualize simplesmente a formação de névoa e dê um passo atrás. Antes de abrir os olhos, escute com atenção o que se passa à sua volta de forma a voltar completamente ao seu estado inicial."
Adaptado de "Additional Meditation Exercices" da autoria de New Order of Druids
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Outras rodas III - A passagem das estações num mito Iroquês
Glooskap by Sharon Matthews
(http://www.sharonmatthews.ca)
Como Glooskap encontrou o Verão
Há muito tempo atrás, Glooskap vagueou muito para norte, até
ao país do gelo, e sentindo-se cansado e com frio, procurou abrigo numa tenda
onde morava um grande gigante – o gigante Inverno. Inverno recebeu o deus
hospitaleiramente, encheu-lhe um cachimbo com tabaco e entreteve-o com
encantadoras histórias do tempo ido enquanto ele fumava. Durante todo esse
tempo, Inverno esteve a enfeitiçar Glooskap, pois, enquanto falava num tom monótono
e entaramelado, provocava uma atmosfera enregelante que a princípio atordoou
Glooskap e que depois o fez cair num sono profundo – a sonolência pesada da
época invernal. Dormiu seis meses seguidos após que o feitiço de gelo se
quebrou e Glooskap acordou. Tomou o rumo de volta a casa, em direcção ao sul e
quanto mais a sul se encontrava, mais quente se sentia e as flores começavam a
despontar à sua volta.
A certa altura chegou a uma floresta vasta e sem trilhos
onde encontrou muitas pequenas criaturas que dançavam debaixo de árvores
primitivas. A rainha deste povo chamava-se Verão, uma criatura extreamente bela
ainda que muito pequena. Glooskap tomou a pequena rainha na sua enorme mão e
cortando um comprido laço a partir da pele de um alce, atou-o ao pequeno corpo
de Verão. Depois começou a fugir, deixando a corda a rastejar livremente atrás
de si.
As pequenas criaturas, que eram os duendes da luz, vieram atrás
dele em grande alarido puxando o laço freneticamente, mas à medida que Glooskap
corria, a corda ia acabando e por mais que os duendes puxassem iam ficando
sempre para trás.
Mais uma vez Glooskap dirigiu-se a norte e chegou à tenda de
Inverno. O gigante voltou a recebê-lo hospitaleiramente e mais uma vez lhe
começou a contar as velhas histórias cujo encanto tanto fascinava Glooskap. Mas
desta vez também Glooskap começou a falar. Verão estava deitada no seu peito e a
sua força e calor imitiam um tal poder mágico que, aos poucos, Inverno começou
a mostrar sinais de incómodo. O suor escorria abundantemente pela sua cara e,
gradualmente, começou a derreter, tal como a sua casa. Depois, lentamente, a
natureza começou a acordar, o canto dos pássaros começou a ouvir-se, a
princípio baixinho, mas depois mais claro e alegre. Os rebentos verdes da relva
nova começaram a aparecer e as folhas mortas do último Outono foram arrastadas
para o rio pela neve que ia derretendo. Por fim, as fadas apareceram e
Glooskap, deixando Verão com elas mais uma vez retomou o seu caminho rumo ao
sul.
Fonte: SPENCE, Lewis, 1997, Guia Ilustrado de Mitologia Norte-Americana, Lisboa, Editorial Estampa
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Chuvas de Mabon
E não é que o primeiro dia de Outono trouxe chuva? Pois é nada de folhas de tons outonais, castanhas ou qualquer outra coisa digna de uma ilustração de calendário, chuvinha, que a mudança leva o seu tempo.
Mas se pensarmos bem, foi fantástico já lá vão uns anos desde que Setembro me cheirava a Outono, por isso este ano apesar de achar que o vento estava diferente fiquei céptica até ao fim e preparava-me para esperar mais uns meses até sentir a mudança. Confesso que no meu coração já tinha declarado o óbito do Outono à dois anos, mas afinal o meu coração encheu-se de esperança. Claro que ainda virá por aí muito calor, mas se a semana se aguentar assim, já fico convencida de que houve Outono.
Este Mabon como estava de luto pela estaçao não queria fazer nada mas ao sair à rua comecei a sentir aquele vento diferente e fiz um passeio agradável, comi das frutas que encontrei, observei a mudança do tempo e principalmente senti-a cá dentro.
leites vegetais caseiros
Leite de arroz
2 colheres (sopa) de arroz
1 colher(sopa) de óleo de girassol (não usei e acho que resultou muito bem na mesma)
1 litro de água
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de açúcar ou mel
Baunilha (opcional)
Se usar arroz integral demolhe por 2-3horas, se arroz normal
por 1 hora.
A água em que se demolha o arroz pode ser usada como tónico de
limpeza facial.
Junta-se o arroz escorrido, o açúcar, o óleo
de girassol, e um litro de água numa panela e vai ao lume e coze por 10-12 minutos ou 20 se for arroz
integral. Junta-se a baunilha e tritura-se
Depois de frio coa-se.
aguenta no frigorifico 2-3 dias.
Leite de aveia em flocos
100 ml de aveia em flocos (medida em volume)
1 litro de água
1 pitada de sal
1 colher de sopa de mel ou açucar
banilha (opcional)
Ferva um litro de água e neste momento se quizer adicione a baunilha ou outro ingrediente para dar sabor como canela limão ou chá (eu achei melhor baunilha ou nada).
Cubra a aveia com parte desta agua acabada de ferver e deixe repousar por 10 min.
Triture a aveia com a água. Passe pelo coador e está pronto.
Pode juntar mais água se quizer uma bebida mais fluida. Beba quente ou frio, com chocolate ou simples.
P.S. - Normalmente não gosto destas coisas mas estas duas receitas até que me souberam bem e lá ajudam a suportar o pequeno almoço sem leite de vaca.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Aviso: o blog está a sofrer um ataque hacker
Alguém está a entrar na minha conta e a fazer-se passar por mim e fez comentários agressivos em pelo menos um blog o que originou como é obvio reacções. A situação é preocupante porque quem quer que seja está realmente empenhado em arranjar confusão e prejudicar-me. Leu e releu o blog e assim se apoderou de expressões minhas e dados pessoais, decalcou frases de postagens antigas, insultou e desafiou a que visitassem o blog afirmando que os comentários não seriam censurados.
Já contactei o autor do blog em causa que se revelou compreensivo e faço um apelo para que se mais alguém tiver recebido comentários desagradáveis por favor os ignore e contacte-me. Estou igualmente preocupada com a possibilidade dos meus outros emails que aqui divulguei serem atacados, por isso se receberam ou receberem emails meus, ignorem, não abram. Esses emails eram usados apenas para que os visitantes do meu blog tivessem outros meios para me contactar.
Esta situação é muito complicada para mim porque o ataque à conta não põe em causa apenas a continuação do blog mas a segurança dos dados pessoais e contactos associados à(s) minha(s) conta(s) de email. A situação ainda não está 100% controlada e peço a compreensão e tolerância de todos.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Ideias para Lughnasadh - sugestões de emergencia
Hoje é um dia especial, trata-se de mais um festival solar, o 1º de Agosto Lughnasadh. É a festa das primeiras colheitas, em especial dos cereiais e que este ano coincide também com a lua cheia que aliás é uma lua azul. Portanto, tarde ou cedo, hoje e enquanto reina a lua cheia no céu, é hora de comemorar e aqui ficam algumas ideias:
Faça uma saudação ao sol, por exemplo pelos movimentos homónimos do yoga. Basta googlar para os aprender de forma simples.
Colha cereais e se não tem horta não é preciso entrar em panico, existem muitas plantas silvestres que são os antepassados dos nossos cereais, pode por exemplo colher e colocar no altar.
Ou se for mais conhecedor desta esquecida riquesa botanica poderá cozinhar um pão e comungar com os deuses.
Crie ambiente use cores vivas e decore o seu espaço com objectos relativos às colheitas e dispondo os produtos horticulas de forma estética.
Medite sobre a importância para a vida humana do cultivo de cereais e a fome no mundo. Avalie o valor económico dos cereais a nivel mundial, e pense a relação entre e a noção de sacrificio do mito de lugh e os custos ambientais e humanos das grandes explorações bem como as lógicas de mercado entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.
Tome uma posição quanto aos transgénicos ou tente.
Boicote produtos cujo os cereais são declaradamente de explorações social e ecológicamente incorrectos.
Aventure-se na cozinha afinal qualquer bolo, biscoito, bolacha terá cereais por base. Mas poderá também fazer algumas conservas e sim congelar polpa de tomate caseira conta ;P.
Reuna amigos em casa ou noutro sitio qualquer, aproveite e leve os biscoitos que fez. A doença celiaca não deve ser desculpa afinal existem cereais naturalmente isentos de gluten como o arroz e abundam receitas livres deste e outros alergénicos como a lactose.
Aprenda a fazer cerveja caseira e não se preocupe se não ficar pronta esta semana. Para tal existem imensos videos no youtube com receitas mais ou menos complicadas.
Faça um ritual de agradecimento e um pedido de fartura e prosperidade.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012
midsummer hospital
Mais importante que rituais mais ou menos complexos é mesmo nos maus momentos ser capaz de recordar.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Lições de um Filho da Lua Cheia
Faz agora duas semanas que o Tiago nasceu, afinal tive um filho da lua cheia como o pai e não da lua nova como a mãe. Comigo partilha o signo do Zodíaco e o Chinês, o que para os adeptos destas coisas só pode revelar uma excelente mistura do carácter dos progenitores.
Mas o que me traz aqui hoje, cheia de sono e com a casa desarrumada, é a necessidade de partilhar a primeira grande lição que uma maternidade tão recente já trouxe: "A maternidade é uma experiência que deita por terra muitos idealismos!". Sim, idealismos, não confundir com ideais.
O primeiro idealismo que caiu por terra penso que terá sido o de estar acompanhada por uma mulher sensivel às minhas concepções e o de não levar epidural. Eu queria ser corajosa, queria passar por aquilo que a maioria das outras fêmeas passa, seguir um modelo de parto o mais próximo possivel das correntes pagãs e eco-feministas defensoras do parto natural. Agarrava-me às descrições românticas dos partos de sacerdotisas de Bradley, e na minha cabeça ecoavam os exemplos da minha familia. Mas em vez de tudo isso, fui acompanhada pelo meu namorado e quando me aceleraram as contrações com oxitocina (sem sequer um avisosinho o que me deixou fula), perdi todo o controlo e paciência e não consegui dizer: não à epidural. Não houve o traçar de simbolos de proteção no meu corpo, nem aquele retribuir de apoio entre duas mulheres que se conhecem. Também não vos trago nenhum exemplo de coragem mas estou convencida de que foi a opção certa para mim. Graças à epidural tive auto-controlo e cooperei com o meu corpo de forma a que o meu filho sofreu menos com o parto, não insultei ninguém (fico sempre agressiva quando estou com dores) e por isso consegui reconhecer todo o apoio que o meu namorado me deu o que reforçou os nossos laços. Perdi um idealismo mas não infringi os meus ideais porque acho que as mulheres devem ter acesso a todos os métodos que as ajudem no parto desde a educação do corpo à epidural. Não acho justo que nos impinjam a epidural apenas porque se quer uma sala de parto sem gritos, acho triste que na minha sociedade não se eduque o corpo feminino desde cedo, mas acho igualmente errado que se condene em absoluto a opção por um parto sem dor.
Já em casa os idealismos a cair por terra foram outros. Cresci a ouvir as histórias de auto-sacrificio das mulheres mais velhas da minha familia que olhavam com desdém aquelas que deixavam os filhos aos cuidados das avós para sair. Frases como: "Quem os pariu que os abane! Livra-te de os deixar comigo" ou "Eu com uma barriga cozida de uma cesariana lavava máquinas de fraldas à mão e o teu pai nunca me ajudou em nada" ou "Ainda me falam em depressão pós-parto, isso são modernices, eu com 2 filhos com 11 meses de diferença fazia tudo em casa.", "É dificil ter gémeos!? Dificil é ter uma panela ao lume e o marido quase a chegar, um a berrar ao colo e outro a gatinhar e a desarrumar armários"; foi o que eu ouvi desde criança.
Chegar a casa e não estar à altura de tais proezas, ainda por cima quando se tem um bébé pouco exigente, fez me ficar obececada com ideia de que sou má mãe e sentir-me esmagada por uma pressão enorme. Até que de repente, reparei que estava a sofrer desnecessáriamente, apenas porque queria seguir modelos de perfeição que nem sequer se adequam às minhas ambições pessoais. Estava obececada com o que os outros podiam pensar de tudo o que eu queria fazer, e de tanto pensar no hipotético não estava a fazer nada de concreto.
Por último, cairam por terra os idealismo de uma maternidade ecológica. Se já durante a gravidez o sonho de uma alimentação variada, saudável e livre de pesticidas e outros contaminantes se revelou impossivel e me fez sentir culpada a cada a cada garfada, agora com a amamentação essa frustação mantém-se. Mas havia outros idealismos ecológicos, queria reduzir ao máximo o uso de detergentes poluentes em casa, poupar mais água e energia e renunciar aos descartáveis. Mas simplesmente eu não consigo. São as exigências de higiene e esterilização e o pânico de não saber cuidar de bébes que anula completamente o tempo para outra tarefa que não seja estar com ele; a falta de opções reutilizáveis em quantidade suficiente e o preço mais elevado das alternativas amigas do ambiente que parecem ter deitado tudo por terra. Até a reciclagem e o simples desligar dos aparelhos em standby está suspenso e não há ninguém que abrace a causa por mim.
Porém, dizia eu ter perdido idealismos, mas não ideais. Aos poucos percebo que aquilo que é preciso é uma maior organização e gestão do tempo e que isso são coisas que veêm com o tempo. Ainda não perdi a esperança nos reutilizáveis e na aplicabilidade de medidas de poupança de àgua e energia e com o tempo ei-de recuperar as minhas idas ao eco-ponto, conquistar tempo para experimentar detergentes caseiros e começar realmente a cultivar algo na horta. Perdi idealismos mas não ideais porque simplesmente percebi que Roma não se construiu num dia, é preciso trabalhar uma mudanças de cada vez.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Rotina Ayurvédica - Deitar cedo e cedo erguer fará bem em todo o lado?
Estou bem consciente do bem que me faz ver o nascer do sol e começar o dia a cuidar de mim mas não estava à espera de tropeçar num livro sobre medicina ayurvédica (livro breve que me pareceu bom para introduzir o assunto) e identificar-me com a rotina sugerida. Será que deitar cedo e cedo erguer faz bem em todo lado? Talvez seja um pouco como no mistério das piramides e não seja invulgar que perante o mesmo problema e mediante os mesmos recursos, membros da mesma espécie encontrem soluções semelhantes.
A medicina ayurveda acredita no estabelecer de uma rotina como uma forma de harmonização e promoção do bem estar do individuo, sendo esse bem estar entendido de uma forma holística. Eu cá não sou um exemplo de disciplina mas reconheço por experiência que nos periodos em que consigo estabelecer uma rotina semelhante a esta me sinto muito melhor. Vejamos:
- Acordar antes do nascer do sol
- Evacuar bexiga e intestinos
- Examinar e limpar os dentes, lingua, mãos e rosto
(para nós que pensamos na higiene oral como uma prática preventiva de cáris a fazer após cada refeição esta ordenação pode não fazer sentido no entanto parece-me que na lógica ayurveda a higiene oral reflete também preocupações de purificação e no cuidado de pontos energéticos do corpo.) - Colocar duas gotas de óleo de sesamo em cada narina
- Gargarejar com óleo de sesamo
- Aparar as unhas e no caso dos homens também a barba
- Fazer auto-massagem - abhyanga (tem como objectivo garantir que a energia vital do corpo circula sem problemas)
- Fazer exercicio apropriado ao seu estado
- Tomar banho ou duche
- Vestir roupas limpas e confortáveis
- Fazer meditação matinal perto do nascer do sol
(o livro não referia nenhuma forma de meditação em particular e eu costumo praticar a meditação atenciosa) - Tomar um pequeno-almoço leve
(vai contra a lógica da maioria dos nosso nutricionistas mas sem duvida que comigo sempre funcionou melhor assim) - Trabalhar ou estudar
- Almoçar uma refeição que deve ser a maior do dia e adaptada à nossa condição fisica e estação do ano (há muito tempo que descubri que tenho de fazer isto ou começo a ter fomes exarcebadas)
- Continuar a tabalhar e estudar
- Fazer meditação ao fim da tarde perto do pôr do sol
- Jantar uma refeição leve e de fácil digestão de acordo com a sua constituição e estação do ano.(Tento ter sempre em conta o meu grau de fome)
- Dar um passeio de aproximadamente 20 min.
(excelente para a digestão. adoro fazer isto) - Actividades leves e agradáveis
(vão promover o relaxamento e um sono descansado) - Ter relações sexuais se desejadas
(esta ordenação do sexo está muito correlacionada com questões morais da filosofia ayurvéda) - Adormecer antes das 10 da noite(provávelmente será um horário inevitável para quem acorde antes do nascer do sol)
Fonte: GERSON, Scott. (1995). Ayurveda: a antiga medicina indiana. Editorial Estampa. Lisboa
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terça-feira, 20 de março de 2012
Lua Nova, Rituais de Passagem e Maternidade
Para mim o simbolismo de cada fase da lua nunca foi muito complexo, mas o modo como me relaciono com cada uma delas tem sido distinto.
Quando encarava um Crescente via a donzela que se enche de fertilidade em potência, ela era a minha Afrodite, a minha aliada secreta nas paixões de adolescente, chegava o momento de estarrecer a contemplar o seu brilho, cantar, dançar nua, sonhar… Depois chegava a Lua Cheia, um ventre prenhe, símbolo inequívoco da maternidade mas longe da minha experiência pessoal. Continuava a estarrecer ao seu imenso luar, a sentir aquela protecção de mãe, pedia saúde para o meu ventre, mas estava longe de a pensar como a minha fase. Vinha então o Minguante para a velha anciã, sábia mas ríspida, distante da minha fase da vida, mas sempre disponível para um puxão de orelhas. Queimava-lhe um pau de incenso depois de um cumprimento respeitoso, pedia sabedoria mas não me sentia preparada para mais. Por fim vinha aquele momento cheio de mistério, a transição do ciclo lunar, a Lua Nova associada à morte e ao renascimento, à menstruação, à decomposição que fertiliza… algumas fontes falavam de uma quarta faceta da deusa a descobrir, mas sem mais pormenores, tornando o momento em algo de obscuro, até mesmo assustador... a maioria referia o período como um momento de repouso e reflexão. O que fazia eu nesse momento? Nada, silêncio respeitoso e busca incessante pelo primeiro sinal de retorno da donzela. Parecia haver entre mim e a Lua Nova um tábu.
Ora o que vos venho falar hoje é da minha recente reflexão sobre o significado desta fase e a relação que se está a estabelecer entre mim e ela. Ontem tomei consciência que a Lua Nova tem andado a acompanhar de perto muitas datas importantes dos últimos tempos. Senão vejamos, depois do Imbolc e Beltane de 2011 que rondaram a Lua Nova, verifico que a concepção do meu filhote se deu braço dado com ela. Seguiu-se o Equinócio de Outono, o Solstício de Inverno, e até mesmo o Carnaval. Mas a coisa vai prosseguir, assim é agora com o Equinócio da Primavera e será com o meu aniversário e a data provável de parto. O feitiço parece quebrar-se com o Solstício de Verão pois aparentemente será a ultima data comemorativa do ano a rondar esta fase. Foi esta observação que me fez recordar o significado da Lua Nova enquanto transição entre a morte e o renascimento e reflectir na maternidade enquanto momento de life-crisis e na ideia de ritual de passagem.
A Lua Nova não é só da menstruação, nem da morte, também é do parto e de qualquer outro momento life-crisis, ritual de passagem ou iniciação. É um fim e um recomeço, sim recomeçar porque por muito que se mude não se faz tábua rasa daquilo que eramos antes. A vida entendida como a nossa simples existência ou o funcionamento do próprio universo é um processo contínuo e acumulativo, que no entanto vejo como cíclico. Vejo-o bem descrito e representado no acto de desenhar uma espiral, em que a cada volta se acumula distância face ao epicentro.
É a fase que se liga perfeitamente à maternidade porque representa perfeitamente aquela que ainda é a realidade do parto para a maioria das mulheres do mundo. Na nossa sociedade actualmente já não achamos nada de misterioso nem muito assustador nisto, temos imensos cuidados médicos à nossa disposição e podemos optar por um parto sem dor, mas para a maioria das mulheres do mundo ainda se pode morrer disto. No entanto em boa parte do mundo quando uma mulher se prepara para parir não sabe se volta, nem sabe a dimensão das sequelas, apenas pode ter mais ou menos coragem e preparação. Estas mulheres experienciam, em especial no primeiro parto, o mesmo que se espera sentir num ritual de passagem e iniciação.
Algumas mulheres são mães sem passar pelo parto, no entanto a Lua Nova também está lá para elas, porque para todas há a morte de um estilo de vida e o início de outro, a atribuição de uma nova identidade e até provavelmente um novo relacionar com o divino.
O Crescente pode ter sido a minha fase nas minhas passagens anteriores, a Lua Cheia poderá ser a minha nova aliada por muitos anos, mas é a Lua Nova quem me acompanha agora e por isso estou convicta de que devo celebrá-la.
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Rituais de passagem femininos – Qual o momento?
Na nossa sociedade os rituais de passagem são raros mas alguns de nós pensamos neles e tecemos sonhos sobre a sua experiência. Já há muitos anos que fazia esta pergunta a mim própria “Qual o momento, na minha sociedade, em que nos tornamos mulheres? E portanto qual seria o momento mais apropriado para um ritual de passagem? A menarca? A 1º relação sexual? Ou a maternidade?”. Hoje acho que todos eles marcam realmente momentos de life-crisis, apropriados à ritualização de uma transformação faseada onde estes três momentos são de facto marcantes, embora por vezes só tenhamos noção da sua dimensão real anos mais tarde.
Aquando da minha menarca pensei imenso no facto de aquilo supostamente me assinalar como mulher mas eu sentir-me mais como uma miúda. Ok, não era bem uma miúda, era adolescente, mas isso não era ser mulher, pelo menos na minha sociedade. Podia-se ter feito imensas coisas para a ritualizar o momento mas nada foi feito, até porque era visto principalmente como algo chato mas inevitável. Perguntaram-me se tinha dores e os absorventes apropriados, recordaram-se umas dicas práticas e pouco mais. Não reparei na dimensão da coisa ao nível da minha auto-estima, nem percebi mais tarde o modo como isso influenciou a minha relação com a divindade.
Fui praticamente a última da turma e era a mais velha, menstruar subiu imenso a minha auto-estima. Sem dúvida que era naqueles dias que eu ganhava coragem para falar com os rapazes, ao menstruar sentia-me mais mulher ainda que tivesses os seios mais pequenos. Quando comecei a relacionar-me com a deusa a minha concepção de Donzela (Crescente) derivaria claramente desta noção de fertilidade em potência e de jovem sedutora, que a menarca assinala.
Os anos passaram e com a maternidade muito distante e os 18 anos já feitos, conclui que na nossa sociedade a primeira relação sexual seria uma passagem bem mais efectiva. Assim decidi-me a ritualizar imenso a coisa, a escolha do dia e do local estavam cheias de romantismos decalcados das obras de Bradley. No entanto depois do acto consumado senti um desajuste, já não era uma verdadeira donzela mas a necessidade absoluta de anticoncepcionais também não me aproximava da fase seguinte de mãe e isto seria assim por muitos anos. Pensei bastante no assunto, decidi que o crescente continuava a ser a minha fase mas senti sempre um certo desconforto. Mais tarde a coisa piorou, quando experienciei uma entrega verdadeira e correspondida, percebi que a minha 1ª vez tinha sido uma autêntica autoflagelação motivada pelas razões erradas (ver post ). Fiquei muito revoltada comigo própria, qual ritual de passagem ou iniciação qual carapuça, burrice, isso sim. No entanto, hoje reconheço novamente aquele momento como um life-crisis perfeito, foi como passar do 8 ao 80, eu não sabia nada sobre relações humanas deste tipo, e hoje tudo o que sei, aprendi graças ao que foi desencadeado naquele momento. Foi uma grande passagem e uma iniciação.
Agora chegou a vez da maternidade, esta passagem não era ansiada nem foi programada mas chegou até mim e com ou sem ritualização não há como a ignorar. Vou morar com outra pessoa de um modo intimo e que não é meramente temporário e ser responsável pela sobrevivência de alguém que não pode cuidar de si próprio. Isto acarreta transformações tais que mesmo que não tivessem havido passagens anteriormente, agora iria mudar certamente. E ainda há o momento crucial do parto; existem movimentos feministas pagãos que reclamam pelo resgate do parto natural, num momento íntimo e exclusivamente feminino, mas será esta a minha direcção? Terei coragem para um parto natural? Em que circuntâncias será responsável um parto em casa? Ficará a minha experiência diminuída se optar pela epidural? Oponho-me à presença de médicos homens? São tudo questões para reflectir sériamente.
E mais tarde chegará o fim da minha vida reprodutiva, será a menopausa o momento que nos ligamos à anciã. Também aqui haverá questões a pensar e ao contrário de anteriormente não haverá uma data exacta a apontar. É um pouco como o atingir da maturidade masculina e por isso mesmo, na minha opinião, a ritualização pode assumir um carácter especialmente importante.
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Pecados Pagãos? - Pedras Mágicas
(fonte da imagem: coviris.blogspot.com)
Gemas, âmbar, corais e outros são amplamente usados em práticas mágicas e curativas e não há loja esotérica que não tenha a sua oferta. No entanto a exploração destes produtos está frequentemente ligada a situações de exploração no trabalho e implica custos para a mãe terra, alguns bem pesados e já muito divulgados como é o caso do coral. Ora se paganismo está tão ligado à ética ecológica será o consumo destes produtos correcto?
Para a indústria da moda a exigência de certificação ambiental das explorações e de políticas de segurança no trabalho e Fair Trade já começa a ganhar prestigio e relevância, e algumas marcas já optaram por sintéticos e alternativas vegetais. No entanto, no âmbito da magia a substituição parece ser mais complexa, sendo o principal obstáculo a vibração energética de cada mineral. O que é irónico quando se percebe que a maior parte da oferta disponível é falsa. O meu irmão estudou geologia e é trágico quando as pessoas lhe mostram as suas pequenas colecções de minerais ou amuletos. Para fugir do ar de desapontamento normalmente ele responde algo do tipo: “É pá, parece, não sei. Sabes, às vezes só dá para ver partindo ou fazendo umas lâminas para ver ao microscópio” e depois quando estamos a sós vem aquele abanar de cabeça. No entanto garanto que nunca conheci ninguém que deixasse de usar as suas pedras e de sentir as suas propriedades. Eu própria já tive uma experiência engraçada com uma falsa pedra da lua que parecia atrair gatos. Perdi-a? Ofereci-a? Já não sei.
Mas independentemente de tudo isto será que não é mesmo possível ajustar o nosso consumo e práticas mágicas à ética ecológica? Foi a pensar nisto que cheguei a estas 5 medidas:
- Preservar ainda com maior cuidado e respeito aqueles que já temos (isto evita que se tenha de comprar novos)
- Repensar as nossas necessidades (a maioria das pedras tem mais do que uma propriedade, será possível usar a mesma pedra em diferentes situações?)
- Procurar materiais e práticas alternativos (é um desafio que vai certamente alargar os nossos conhecimentos)
- Adquirir produtos com certificação ambiental, Fair Trade, etc (Sai mais caro e exige alguma pesquisa, mas além de ser ético à uma garantia de que o produto é genuíno)
- Obter minerais em segunda mão (obtém-se essencialmente joias pelo que o preço e a garantia do valor do mineral é variável mas reutilizar é sempre uma boa opção)
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Desodorizante Natural Caseiro
Eu não acho que usar desodorizante seja mau aliás sou daquelas pessoas que no Verão vai à casa de banho várias vezes para passar as axilas por água e sabão e reaplicar. Não morro se não o fizer mas no meu caso não acho que seja um exagero. Mas a verdade é que a maioria dos desodorizantes tal como muitos outros produtos de higiene não são absolutamente inócuos para a saúde nem para o ambiente, e estar grávida fez-me recordar o assunto.
Já tinha experimentado antes um desodorizante natural, sem alumínio e à base de salva e limão. Se resulta? Sim e não. Vejamos: apesar de o aroma não ser o mais agradável do mundo e de por vezes arder um pouco no momento da aplicação é muito mais confortável nas axilas, não ficam rígidas, nada de picadas nem pêlos encravados e não me lembro de manchar roupa, pelo menos de forma trágica. E como eu já estava habituada no Verão a ter de lavar e reaplicar ao longo do dia, fazer o mesmo com este não foi novidade. Só não me adaptei muito bem ao preço, por isso, agora que tenho que fazer ainda mais contas à vida decidi procurar uma solução caseira.
Já tinha ouvido falar que esfregar rodelas de limão funcionava no calor de África, mas fiquei sempre naquela que devia ficar pegajoso, arder, manchar, não sei… alguma coisa deixou-me sempre de pé atrás. Provavelmente a minha mente de quem vive num mundo onde tudo é industrializado, a complicar. Por isso lá fui eu pesquisar e tentar perceber como se usava o limão e verifiquei que é comum adicionar ao sumo, bicarbonato de sódio, água e álcool, segundo parece os dois últimos evitam as manchas.
Assim decidi testar o seguinte:
3 medidas de sumo de limão
1 medida de água
1 medida de álcool
Optei para já em não pôr bicarbonato e fiz pouca quantidade porque não sei quanto tempo aguenta.
Por enquanto está a funcionar bem, as axilas não cheiram a suor, na verdade não cheiram a nada. Está a ter o mesmo tempo de eficácia que verifico nos desodorizantes comerciais e é confortável para as minhas axilas. Provavelmente terei de alterar a fórmula quando chegar o calor mas para agora vai muito bem.
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Lua Cheia nos próximos tempos
Há momentos em que reclamo comigo própria por me achar pouco prendada mas em matéria de intuição devia ter vergonha de me queixar.
Estou grávida e não foi por falta de aviso. Já há mais de um ano que me tinha começado a desleixar mas nunca me senti muito ameaçada, sabia que devia atinar mas lá se iam sucedendo mais uns descuidos despreocupados. Até que senti um aviso mais sério "um dia a sorte acaba e a tua está a acabar". "Pois é - pensei eu - já lá vai imenso tempo que deixámos de usar, tenho que atinar."
Tinha cuidado num dia, baldava me logo no outro, enfim o tempo foi passando e eu comecei a sentir-me cada vez mais preocupada mas parecia que já não conseguíamos voltar à boa prática do preservativo.
Aproximou-se o Verão e aquele aviso interior tornou-se mais forte "Minha querida a tua sorte acabou, arrisca mais uma vez e vai-te calhar a sorte grande" Desta vez eu levei a sério, senti mesmo que ia acontecer. Visto, que o preservativo exige cuidado dos dois pensei na pílula mas estava a dar os primeiros passos nos cultos do feminino e na reconciliação com a minha menstruação e pareciam me duas coisas incompatíveis. Ah, e claro ainda resticios daquele medo infundamentado de engordar.
Correu mais um ciclo e não aconteceu nada "Ufa!!! Que alivio". Mais um ciclo e desta vez a menstruação atrasa "Ai, ai!!!" Bem lá veio. Feliz e contente pensei "Ufa, que alivio!!! Bem, quando chegar Setembro vou à ginecologista pelos serviços da universidade e começo a tomar a pílula. Em Setembro começo o meu mestrado não posso correr riscos. Não é o ideal mas a Deusa entende é preferível à irresponsabilidade".
Pois bem, adiar decisões dá nisto. Eis que uma semana antes da data prevista para a menstruação dou por mim a pensar "Estou grávida e com a sorte que eu tenho é um rapaz" Visto que das poucas vezes que tive delírios maternais sonhei com raparigas, isto parecia-me trágico. Pego no calendário faço umas contas e "Bolas!!! Desleixei-me mesmo no 14º dia. Ok, calma, não vale a pena entrar em pânico com tanta antecedencia. Não foi, não foi" Os dias passaram-se e eu sempre ansiosa e atenta aos sinais da sua chegada. 25º dia - nada, ... 28º, 29º- nada. "Ok, já estou mesmo desesperada. Respira, tem calma não vale a pena ir já fazer um teste não está propriamente atrasada. Espera uma semana." Comecei na net à procura de testes caseiros, porque não? Sempre me ia entretendo. Fiz três, todos me pareceram indicar positivo. As experiências até estavam a ser engraçadas o raio da menstruação não vir, é que nem por isso. Até que com 3 dias de atraso não aguentei mais e às 7 da manhã estava de pé para ir à farmácia. Fiz o teste e que belo positivo.
A primeira reacção até nem foi má. Acho que fiquei entusiasmada com o facto da minha intuição e os testes caseiros estarem certos. O segundo dia é que foi pior, lágrimas, lágrimas e mais lágrimas: "O que é que eu fui fazer? Ela avisou-me, eu sabia que não o queria e não o evitei", "Eu não tenho condições." Culpa, culpa e mais culpa. Muita vontade de resolver fácil e racionalmente o assunto recorrendo à IVG mas um medo enorme de me arrepender. Acabei por decidir manter a gravidez por uma questão de coerência interna:
- desde criança que acho que um voto a favor chega para manter uma vida (o do meu namorado era claramente a favor)
- no ano anterior tive de acompanhar uma IVG também consequente de 1 ano de desleixo e custou me ver aquilo, fiquei marcada senti que não estava certo chorei por não me ter oferecido para ficar com ela (Enfim era preciso ter lata para fazer o mesmo agora)
- a deusa avisou e eu ignorei. (Ia recusar aceitar as consequencias dos meus actos? Como é que eu ia manter me ligada à deusa se recusasse uma criança que sentia vinda dela?)
Em suma, quase nas 23 semanas e felizmente imenso apoio da família e amigos esta bruxinha ainda se está a adaptar ao seu menino. Com muitos dias de desânimo e pânico... mas talvez este primeiro post seja um bom sinal.
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